sábado, 20 de setembro de 2008

A Carris no seu melhor! (tenho que começar a arranjar mais imaginação para estes títulos)

Mais uma para a lista da Carris.

Ontem, pelas 20:15 lá estava eu na paragem da Praça do Comércio numa vã esperança que aparecesse o 781 quando aparece um 759 (ao fim de quase 10 minutos de espera decidi-me ir naquele autocarro "já com cheiro" - se não apanharam a piada vejam isto). O tripulante era, como não podia deixar de ser nos tempos que correm, mais uma carinha laroca. Na paragem havia muita gente, fruto do enorme tempo de espera a que o pessoal desta zona se sujeita sempre (como a Carris insiste em afirmar que agora está tudo muito melhor, deduzo que os tempos de espera longos sejam uma excepção em toda a rede). Uma dessas pessoas era amblíope (pelo menos pareceu-me). O autocarro pára, não sei se propositadamente ou se apenas por acaso, mesmo em frente a essa pessoa. Os grunhos (existem e são muitos no 759) entraram logo de rompante à frente dessa pessoa. Ela lá entra e tenta fazer aquilo que muitos dos que vêem e andam naquela carreira de m3rd@ raramente fazem: validar o título de transporte. Eu e outro passageiro tentamos ajudá-la. Entretanto forma-se um amontoado de passageiros atrás de nós. A carinha laroca e um outro funcionário da Carris que entretanto entrou no autocarro nada fazem para ajudar o passageiro. Ao fim de alguns segundos a carinha laroca atira num tom rude e bem a despropósito um "VAI FECHAR". Lá nos arranjamos o melhor que pudemos para que o imbecil do tripulante fechasse a porcaria da porta (se ia atrasado nós seremos, com toda a certeza, os menos culpados). Finalmente lá se conseguiu fazer com que a maquineta lê-se o raio do passe ou bilhete. Isto sempre com a ajuda dos outros passageiros porque tanto a carinha laroca como o "boleias" nunca se deram ao trabalho de fazer o que quer que fosse para ajudar aquele passageiro com e em dificuldades.
O autocarro chega a Santa Apolónia. O passageiro amblíope vai sair e fá-lo pela porta da frente (sempre é mais fácil para eles do que sair pela porta de trás). Primeira fase da operação: dar com a porta da frente. A carinha laroca deixou-se ficar impávido e sereno sem abrir a boca, nem que fosse para avisar os passageiros que estavam na paragem para aguardar um pouco. O "boleias" deixou-se estar encostado com as mãos literalmente nos bolsos ("tocar em passageiros, ai que nojo"). O passageiro lá conseguiu descobrir o sítio certo da porta, mas só com a ajuda dos passageiros que entretanto tinham entrado.
E é assim a história.
Nos entretantos a Carris continua alegre e imbecilmente a afirmar que as coisas são uma maravilha e que em inquéritos de satisfação toda a gente está muito feliz, não só com o serviço, mas também com os tripulantes (provavelmente para justificar a "renovação" de pessoal). Quanto a mim...

Como complemento coloco parte da notícia do Correio da Manhã que me levou à piada do "com cheiro", não vá aquilo deixar de estar disponível no futuro. Reza assim:
A Carris vai investir cerca de cem mil euros numa campanha multi-sensorial, que se traduz por autocarros com cheiro a manjerico, limão e brisa do mar, música ambiente e uma textura resistente em todos os assentos.

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