quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sul e Sueste

Ontem fui ao Barreiro para dar uma mão na maquete da APAC que se encontra exposta no recinto das festas da cidade.
Fi-lo indo de barco e, para tal, tive que usar a Estação do Sul e Sueste (única no país, porque, tendo sido ferroviária e tendo sempre funcionado, nunca por lá passou comboio algum). Aquilo é um espectáculo desolador.
Do lado de fora é o que se vê, com um passeio imenso do lado do Ministério das Finanças, que não me parece que tenha grande serventia, e uma placa de betão mal-amanhada do lado do rio. As paragens de autocarro ficam, inexplicavelmente, longe e os acessos do Metro não fazem qualquer ligação real à estação!
Do lado de dentro ainda é pior! Todo aquele vasto e impressionante átrio está atulhado de colunas e estacas provisórias (a segurar o tecto?), não sendo sequer possível ver as belas paredes decoradas com os emblemas das cidades servidas pela antiga Companhia do Sul e Sueste. Para se chegar à bilheteira temos que ficar literalmente de lado, já que uma dessas colunas fica a tapar parte do guichet. Tanto de um lado do edifício como do outro apenas existem ruínas das antigas estações da Transtejo para Cacilhas, Montijo e Seixal. Aparentemente, todo este cenário se deve às obras do metro, as quais, já deveriam estar mais que prontas, já que aquele troço de rede foi inaugurado em Dezembro de 2007!
O pior disto tudo é que não se vê qualquer forma de se ultrapassar este problema já que um dos dois principais candidatos à CMLisboa afirma que "acabou o suplício das obras que nunca mais acabam" - ou seja, para ele está tudo bem - e o outro promete fazer mais obras!
Ainda se fala de 1755!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Por comodismo

Há a ideia em Portugal de que os portugueses não usam os transportes públicos por comodismo. Acredito que em muitos casos isso até possa ser verdade. Basta ver os nossos dirigentes políticos ou empresariais que, invariavelmente, se deslocam uns em carros oficiais, outros em carros da empresa, em ambos os casos sempre com motorista. Temos ainda os engarrafamentos imensos que param todas as cidades portuguesas, tenham ou não elas redes de transportes públicos.
Mas quando começo a olhar para aquilo que essas redes oferecem começo a ficar com dúvidas sobre as razões que levam muitas pessoas a não usarem os transportes públicos.
Há situações em que para se fazer uma viagem de autocarro se demoram 45 minutos, quando a mesma viagem feita de automóvel demora cerca de 15 a 20 minutos. Será comodismo preferir o automóvel? E não se está, ainda, a falar do tempo de espera por esse autocarro. Quantas vezes não se passa mais tempo à espera do transporte que em viagem? Quando tal acontece, será possível críticar as pessoas que optam pelo transporte individual, acusando-as de comodismo? E nas situações onde as ligações entre os vários transportes simplesmente não existem ou funcionam mal? Sim, convém não esquecer que serão poucas as pessoas neste país que usam apenas um meio de transporte para irem de casa para o trabalho e vice-versa. Se do total do tempo de viagem, cerca de metade for dispendido nesses transbordos, não será mais ajuízado a opção pelo carro, mesmo com engarrafamentos pelo meio?
Não será este "comodismo" mais uma reacção à má qualidade dos transportes? O que se passou na zona do Porto não deixa de ser curioso, atendendo a que estamos a falar de um país de "comodistas". Com a abertura do metro do Porto e a reformulação da oferta da CP, com a criação de novos serviços e a colocação em serviço de novas composições, o número de passageiros transportados aumentou em toda a rede de transportes do Grande Porto, assistindo-se em muitos eixos a uma passagem do transporte individual para o colectivo.
Terão deixado de ser comodistas? Ou terão os transportes daquela área metropolitana tido um aumento qualitativo e quantitativo que justificou essa mudança? E se assim foi, será que noutros lados as pessoas não usam os transportes apenas por comodismo? Ou será que estes simplesmente não satisfazem as necessidades das pessoas?
Não passará a desculpa do comodismo de uma forma simplista de ver o problema dos transportes em Portugal? Afinal sempre é mais cómodo para os transportadores e responsáveis políticos dizer que a culpa é do comodismo das pessoas do que tentar descobrir as verdadeiras razões das coisas serem assim.
É irónico, não é?

sábado, 15 de agosto de 2009

A Silly Season agudizou-se

Pois é, agora é que a silly season entrou na pior fase.
Na rádio e aos fins-de-semana já chegamos à época em que música e noticiários só se ouvem de manhã, ficando o resto do dia ocupado com o jogo de bola.
Na televisão continuo a ter que ver notícias sobre o Michael Jackson, os alegados filhos e esposas e mais não sei quê.
De vez em quando aparecem outras notícias que ainda arrepiam mais, como aquela que vi na SIC-Notícias relativa ao festival que decorreu nos últimos dias na zona de Sagres. Perguntava a jornalista aos jovens que pela praia deambulavam quem tinha sido o Infante de Sagres. Ninguém sabia! Uma das entrevistadas ainda se aproximou quando disse que "até há uma estrada que se chama do Infante". Nova pergunta: "Que cabo é aquele?". As respostas que ouvi foram "Cabo de Sagres" (OK até nem foi muito mau), "Cabo Ruivo" (esta foi dada por um com pinta de se orgulhar de ser burro)... Pelo meio fiquei a saber que o importante é que "a malta tá-se a divertir" e "tamos aqui a apanhar um solzinho" e ainda "isto bom pró sârfe").
Ainda tive que levar com o merdas da Madeira a dizer não sei o quê sobre o INE e que só ele é que tem razão (isso já não é notícia, todos sabemos que o merdas da Madeira é que é o dono da verdade e mais ninguém tem razão).
Metam-me num manicómio que eu estou cada vez com mais medo dos que andam cá fora!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

As paragens "user-unfriendly"

Antigamente, nas zonas em que as paragens da Carris eram desdobradas, havia sempre o cuidado de agruparem as carreiras de acordo com os seus destinos e/ou percursos, o que facilitava, e bastante, a vida de quem as usava.
Actualmente parece que tal prática deixou de existir ou, no mínimo, de ser uma preocupação premente por parte da Carris.
Nos Restauradores existem duas paragens para as carreiras que vindas da Avenida continuam em direcção ao Rossio, cada uma delas a servir 3 carreiras. Numa das paragens temos 2 carreiras que vão para o C.Sodré e outra que vai para Santa Apolónia. Na outra temos 2 carreiras que vão para o Terreiro do Paço/Rua da Alfândega (seguindo o caminho daquela que vai para Santa Apolónia) e outra que vai para Caselas (seguindo o mesmo caminho das duas que vão para o C.Sodré). Perceberam? Tem lógica?
No Cais do Sodré, na zona onde existem os terminais das várias carreiras, temos uma paragem para a carreira 782 que fica logo no início daquela fileira (do lado da Praça Duque da Terceira), uma segunda paragem, que eu nem sei de que carreira é, e uma terceira, já junto ao rio, para a carreira 781. Estas duas carreiras, a 781 e a 782, têm um percurso comum desde ali até à zona do Poço do Bispo. Coerente, não é?
Em Santa Apolónia a mesma coisa. Temos uma paragem onde param as já referidas 781 e 782 juntamente com a 745 (que termina uns metros mais à frente) e outra para as 28 e 759 que, tal como as 781 e 782 continuam para lá de Santa Apolónia.
Acredito que haja mais situações destas.
E sei que dá "imenso jeito" ter que andar a correr de uma paragem para a outra pelo simples facto de ninguém na Carris se ter lembrado ou preocupado com a arrumação correcta das carreiras pelas paragens. Num dos casos relatados (o do Cais do Sodré) a "correria" chega a implicar uma travessia de estrada!
Oh senhores da Carris, não dá para verem este tipo de coisas? É que são bem mais úteis que outras coisas como as corezinhas das carreiras!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Tempo maravilhoso

Passo o Inverno a ouvir gente a queixar-se que "está frio" ou "esta chuva, não há meio de parar" e que "nunca mais chega o bom tempo e o calor".
Chego ao Verão e oiço as mesmas pessoas dizerem "que calor, nem se pode" ou "como é que se pode viver com um tempo destes".
O curioso é que quando pessoas, que como eu, dizem que se está melhor no Inverno que no Verão, as outras pessoas, as que tanto se queixam do calor no Verão como do frio no Inverno aparecem logo a dizer "ai credo, lá estás tu".
E depois eu é que sou resmungão.
Sai uma temperatura de 21º C para a mesa do canto!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Fantástico

Um grupo organizado anda durante a noite e pela cidade de Lisboa com um escadote de três metros, encosta-o ao edifício dos Paços do Concelho, sobe por ele até à varanda do edifício e troca a bandeira da cidade pela bandeira monarquica. Tudo isto sem que a polícia, ou qualquer outra autoridade, tivesse dado por nada.
Por acaso só levavam uma bandeira. Podiam levar outra coisa qualquer. Uma bomba, por exemplo.
E depois ainda há quem me pergunte por que raios eu acho que este país não deve existir!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Silly season agora na publicidade

Sim, a silly season também existe na publicidade.
Há agora por aí uns anúncios que até me fazem ficar saudoso do saudoso (ok, hoje não estou inspirado) slide do Quitoso e do seu menino piolhoso a coçar o couro cabeludo.
Temos um a um fixador de placas no qual a ideia que aquilo me transmite é que as substâncias químicas que compõem o produto acabam por ser absorvidas pelo organismo, ficando os seus utilizadores completamente tontinhos, o que faz com se ponham a cantar e a tentar demonstrar que sem isso morreriam de tédio.
No género "pacote" vêm os da TMN. Num aparece uma caixa de supermercado a fazer já nem me lembro o quê e, logo de seguida, aparece um boneco a dizer-lhe umas balelas. O anúncio é tão mau que nem consigo fixar o que pretendem vender nem qualquer outro tipo de mensagem. Ainda da TMN há um outro onde aparece uma jovem de sotaque brasileiro e que pede a um imbecil o portátil deste para fazer uns uploads de fotos sugestivas com ela. O mocinho fica todo atordoado e eu sem perceber, mais uma vez, o que se quer vender. Num terceiro há um tipo que desmaia, umas jovens que o tentam ajudar e ele diz "boca-a-boca" e eu mudo de canal.
Ah, também existe um da Optimus a falar de telemóveis pré-históricos cujo toque faz sair de uma gruta um troglodita que se vai aproveitando para se roçar nas meninas que se encontram na praia.
E ainda falavam do "Quitoso - Loção e shampoo"!