quinta-feira, 19 de março de 2009

No meu tempo...

... não era assim!
Deve ser das frases mais universais, quer geográfica, quer temporalmente. "No meu tempo não era assim!"
Eu era daqueles que, no meu tempo (lá está), dizia sempre que nunca diria tal coisa. O tempo veio desmentir-me e hoje quando vejo malta de, digamos, 18 anos, penso (e digo) com um misto de inveja (pela idade) e de reprovação: "No meu tempo...".
Quando oiço esta frase lembro-me sempre da minha avó a críticar a malta nova (malta que era, portanto, "do meu tempo") por se beijar na rua.
- No meu tempo não havia nada disto. Não andavamos assim aos beijos, a lamberem-se todos! Onde já se viu? Que pouca vergonha! Já não há respeito por nada!
E a lista de acusações seguia por aí fora.
Geralmente, e caso estivesse presente, entrava então o meu avô
em cena.
Primeiro deixava-se rir, com aquele ar bonacheirão dele, depois lá lhe saía:
- Pois, não era! No nosso tempo não havia nada disso. Não andavamos aos beijos assim, não senhora! No nosso tempo só davamos, e às escondidas, "beijos à cinéfilo"!

sábado, 14 de março de 2009

Assim não dá!

Hoje demorei de Xabregas ao Rossio, uma distância de cerca de 4,5 Kms, cerca de 50 minutos. Esta estonteante velocidade média de 5,4 Km/h não foi atingida deslocando-me a pé, mas sim no 759! Destes 50 minutos perto de 30 foram passados na paragem, à espera! Diz o horário que consta no site da Carris que àquela hora eu deveria ter ficado à espera 13/14 minutos! Mas estive 30. E como resultado disso acabei por não apanhar o comboio que tencionava apanhar, o qual saía 45 minutos depois da hora a que cheguei à paragem!
Mas isto não acaba aqui. Chegando à estação do Rossio, 5 minutos depois da partida do comboio que tencionava apanhar, deparo-me com o átrio principal desta fechado. Motivo: uma qualquer cerimónia, com direito a cadeirinhas, palanque e um "convite" aos plebeus para que estes fossem dar a volta, não digo ao bilhar grande, mas antes ao edifício, entrando no piso intermédio (ou pelo metro, como eu fiz)!
E não se esqueçam: a bem do ambiente, da sustentabilidade e de mais uma série de coisas, usem os transportes públicos! Dizem eles (ou será melhor escrever Eles, com 'E' maiúsculo?)!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Os meninos das bicicletas

A grande moda actual em termos de mobilidade é andar de bicicleta. Toda a gente vai ter que andar de bicicleta. E já se começaram a gastar os primeiros milhões em infraestruturas para se andar de bicicleta.
Agora apresento o reverso da medalha. Terão os bicicleto-mobilizados capacidade para se moverem dessa forma?
É que para estes meninos, que tanto se queixam da falta de condições, tudo é pista de ciclismo e código da estrada é coisa que não se aplica (a eles). Quantas vezes é que eles param num sinal de stop? E num de cedência de prioridade? E num semáforo que se encontre fechado? E as zonas pedonais e os passeios e passagens de peões? Serão para andar montados em bicicleta?
É que estes meninos podem ter azar quando fazem estas manobras e outras tropelias e dar de caras com um mal-humorado como eu que não tenha vontade de parar quando tem o sinal verde para ele ou de se desviar quando vai num passeio ou zona pedonal.
Posso ficar todo partido da cacetada que levar, mas dar-me-á muito gozo ouvir o ruído da queda que o outro dará!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Crise? Mas qual crise?

Por todo o lado sugem notícias alarmantes da gravíssima crise económica e financeira que se abateu sobre todo o Mundo. Os bancos deixaram de emprestar, os consumidores deixaram de consumir, os vendedores de vender e os produtores de produzir. Tudo entrou em colapso, segundo dizem.
Contudo, nas últimas semanas, aconteceram-me duas coisas que me fizeram duvidar de tudo isto.
A primeira teve origem num dos dois bancos de que sou cliente. Ligaram-me um dia para o telemóvel a perguntar se eu tinha recebido em casa uma carta a indicar que me tinham dado crédito pessoal pré-aprovado. Não a tinha recebido na altura, mas a carta apareceu-me em casa passados uns dias (por culpa dos CTT a fazer fé na data que lá constava). Perguntaram-me também se eu não estava interessado naquela oferta. Afinal de contas estavam-me a oferecer crédito pré-aprovado. Respondi-lhes que não estava interessado e que quando precisasse de dinheiro eu iria ter com o banco. Contra-responderam: mas não está mesmo? Olhe que já está pré-aprovado. Aí saltou-me a tampa e respondi-lhes de maus modos: não é por me darem um crédito pré-aprovado que eu vou a correr a gastar dinheiro estupidamente. Eu não preciso de nenhum crédito pessoal, perceberam? Quando precisar eu vou ter convosco, OK?
Fica aqui a prova de que a crise financeira não existe e que a história dos bancos não emprestarem dinheiro com tanta facilidade é treta.
A segunda história ainda não teve epílogo. Há duas semanas dirigi-me a uma carpintaria para encomendar uns módulos em contraplacado para a minha maquete. Disse-lhes o que queria, deixei-lhes o contacto e... Durante uma semana não aconteceu nada. Passada essa semana resolvi voltar lá. Tinham-se esquecido de me ligar a perguntar se podiam usar placas de 8 mm em vez das de 10 mm. Claro que podem usar. Não são menos 2 mm de espessura que vão dar fragilidade à coisa. Passado 2 ou 3 dias ligaram-me. Estavam com dúvidas numa coisa e precisavam de uns esclarecimentos. Lá lhes dei os esclarecimentos pedidos. Hoje, duas semanas depois, ainda estou à espera de dois módulos (ou das peças cortadas, mesmo que não estejam montadas) de 40x92x10 cm mais duas placas de 32x92 cms.
Assim cai o segundo mito desta crise, o de ninguém comprar nada e isso provocar uma reacção em cadeia em toda a economia. Comprar até quero, mas aparentemente ninguém quer vender!
Imaginem o que seria a minha vida se:
  1. Os bancos andassem a conceder créditos a torto e a direito;
  2. O consumo fosse tão desenfreado que os fornecedores não conseguissem dar resposta a tanta procura.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Bater na mesma tecla assim como quem chove no molhado

Este post é mesmo isso: bater na mesma tecla, chover no molhado.
Cheguei à paragem do 759 nos Restauradores - paragem onde inicia a carreira - por volta das 20:00 e pouco (ainda não eram 20:05) e preparei-me para esperar ao frio pelas 20:09, hora a que sairia o próximo autocarro. Seriam umas 20:06 ou 20:07 quando o autocarro apareceu do lado do Rossio e estacionou do lado nascente da Praça dos Restauradores num local que, por ficar atrás do monumento, não era visível da paragem.
As 20:09 chegaram e passaram e do autocarro nem sinal. Às 20:10 lá apareceu por detrás do monumento, quando já passava um minuto da hora de partida que consta do horário.
E ainda tinha que ir à primeira transversal da Avenida de Liberdade para voltar para trás e dirigir-se à faixa lateral do lado poente, em frente ao Éden, para fazer o serviço, coisa que, devido aos semáforos demorou cerca de 3 ou 4 minutos.
Tendo sido o 3º ou 4º passageiro a entrar no autocarro senti logo um imenso cheiro a tabaco dentro do autocarro, cheiro esse que se tornava mais ténue à medida que me encaminhava para a retaguarda. Dado que, para além do motorista, não havia ninguém dentro do autocarro quando este chegou à paragem, presumo que tenha sido ele o prevaricador.
Às 20:17 o autocarro das 20:09 saiu, finalmente, da paragem. Seguiu-se uma viagem de solavancos, com arranques tão bruscos quanto o eram as travagens, talvez para compensar o atraso com que saímos do terminal. Mesmo assim o autocarro chegou a Xabregas ainda uns 4 ou 5 minutos depois da hora a que normalmente passa por lá!
Reclamar para a Carris?
Não creio que valha a pena. As respostas que a empresa envia para os clientes ou são vagas, ou completamente disparatadas ou, quando são casos destes, apenas demonstrando uma preocupação mórbida em fazer rolar cabeças perguntando:
- Mas quem ia a conduzir o autocarro?
Ao que só me apetece responder:
- Lembro-me perfeitamente de quem era! Era um tipo vestido de azul!
Certificações de Qualidade, ISOs não sei das quantas e mais não sei o quê, mas com que propósito? Não seria tudo mais simples como estava antigamente, sem nada disto, mas com tripulantes bastante mais educados e civilizados que estes?

As incongruências da pobreza

Numa notícia do Telejornal de ontem afirmava-se que devido à crise muitas pessoas da classe média estão a recorrer aos balneários públicos para que possam tomar um banho regularmente, já que muitas terão a água e/ou o gás cortado(s) por falta de pagamento. Durante a reportagem pergunta-se a alguém como é que se sabia que essas pessoas eram da classe média. A resposta foi: "Pelas roupas e por virem de carro"
São estas as grandes incongruências dos novos-pobres nacionais!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Assim vai ser rápido

Qual o motivo para que uma obra que implica o fecho ao trânsito automóvel de uma importante artéria da cidade não seja feita 24 sobre 24 horas, 7 dias por semana?
É que hoje passei pelo Terreiro do Paço por volta das 20:15 e não se via ninguém a fazer o que quer que fosse em todo aquele estaleiro!