segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Aos Domingos...

Ontem tentei ir ao Barreiro dar uma mãozinha à maquete instalada para a exposição comemorativa dos 150 anos do caminho-de-ferro a sul do Tejo, mas não consegui. Só deu para chegar à estação do Sul e Sueste!
Ao chegar lá (por volta das 13:30 cerca de 20 minutos antes da hora de partida do barco) deparei-me com a bilheteira fechada, apesar de o horário afixado indicar que a mesma estaria aberta desde as 8 da manhã (ou coisa parecida) até às 18 (ou por aí). Esperei 10 minutos. Ao fim desse tempo fui ter com um segurança que tinha estado a enviar outros passageiros para a máquina automática e perguntei-lhe se a bilheteira abria. Respondeu-me:
- O homem foi almoçar, só volta daqui a 10 ou 15 minutos.
- Mas daqui a 10 minutos parte o barco.
- Pois. Tem a máquina!
- Mas eu preciso mesmo de ir à bilheteira porque o meu bilhete (de funcionário da CP) não se vende na máquina!
Acabou o diálogo.
O barco seguinte saía 30 minutos depois deste. Resolvi então aproveitar o grande "Aos Domingos o Terreiro do Paço é das Pessoas" (acho que é esse o nome). Mais uma vez lá vi um monte de bancas a vender a mesma tralha que nos outros dias se vende na Rua Augusta, mais umas quantas bancas de moedas e selos e outras de livros sem qualquer interesse. Pelo meio havia "animação de rua" com uns palermas a andar em comboiozinho e com uns apitos nos beiços e que de vez em quando se punham a andar à roda dos poucos transeuntes que lá andavam (perdidos, à procura das paragens dos autocarros, deslocadas devido aos cortes de trânsito). Optei por tentar ver a exposição existente no Páteo da Galé sobre a reconstrução de Lisboa. Entrei, comecei a ver a exposição e de repente surge um segurança:
- Não pode estar aqui!
- Não posso?
- Não pode!
- Então porquê? A porta está aberta, até têm um placard a anúnciar a exposição!
- Estamos em obras. Só abre amanhã!
- Bem, nesse caso é pena. A única coisa que interessava no meio desta macacada toda era mesmo só a exposição. Boa tarde, então!
Feito isto resolvi meter-me no primeiro autocarro que aparecesse e que passasse em Xabregas e enfiar-me em casa.
Aos Domingos... NUNCA MAIS!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Do sorriso à gargalhada incontida

Andei hoje pela segunda vez nos novos articulados da Carris, os quais possuem sistema de anúncio de paragens tal como existe no metro e nos comboios. Da primeira vez que andei havia alguma coisa desregulada pois só se ouvia a campainha e depois uma voz muito sumida de uma senhora, tão sumida que não deu para ouvir patavina.
Hoje foi diferente. Tanto a campainha como a senhora mantiveram-se ao mesmo nível e foi isso que me fez passar por uma vergonha.
Notei que o sistema é mais lento que o autocarro, o que faz com que muitas paragens sejam anunciadas quando já lá vão. Depois verifiquei mais uma característica do sistema: as mensagens não foram gravadas tal como acontece noutros meios de transporte! A Carris (ou quem vendeu o sistema à Carris) optou por usar um daqueles softwares que traduzem os textos para voz, a qual, por sua vez, tem sempre um timbre robotizado. Isso fez-me sorrir quando comecei a ouvir tais mensagens.
Para ajudar à festa apareceu a meio do caminho a outra característica deste tipo de ferramentas: a incapacidade que elas têm de reproduzir certos fonemas da língua do Camões e do Eça. O resultado foi eu ter passado pela vergonha de me ter desatado a rir à gargalhada quando foi anunciado o "Campo d' Cib'Uólas" (lê-se cibe-pequena pausa tipo soluço-uólas).
Aparentemente mais ninguém naquele autocarro percebeu a piada!

Alguém sabe...

  1. ... qual vai ser o esquema de circulação de trânsito na Baixa de Lisboa, caso o plano Costa-Salgado avance? (notinha: no site da CMLisboa vem lá uma apresentação do plano, assim a atirar para o PowerPoint, mas em PDF, onde aparecem uns mapas ridiculamente pequenos e que não servem para nada do ponto de vista informativo)
  2. ... porque é que há tanto projecto para tanto hotel no centro de Lisboa?
  3. ... se todos estes projectos hoteleiros estão relacionados com o plano Costa-Salgado?
  4. ... porque é que sendo um dos objectivos deste plano a melhoria da circulação dos peões, a CMLisboa não apresenta um plano de melhoria dos passeios (acabando, por exemplo, com os passeios em calçada nos locais onde apenas se usa pedra branca) ou de optimização dos tempos de semaforização das passadeiras?
  5. ... se a Carris tem alguma norma interna que proíba os motoristas e guarda-freios de deixar entrar os passageiros nos veículos quando estes se encontram nos terminais antes da hora de partida?
  6. ... porque é que o caso Freeport está com tanta força novamente, mas o caso da Portucale e dos seus abatidos sobreiros desapareceu por completo?
  7. ... como é que alguns políticos ainda têm cara para ir à televisão dizer o que dizem depois de terem feito o que fizeram?
Sabem? Sabem? Sabem? Eu também não!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Eu não entendo

Nunca entendi as razões evocadas pela actual equipa na CMLisboa para o fecho ao trânsito do Terreiro do Paço aos Domingos e agora, com as obras a ocuparem a placa central, ainda menos.
Consultando o site da CMLisboa verifica-se que todas as actividades anunciadas se realizam ou dentro de edifícios ou em páteos interiores ou ainda debaixo das arcadas do lado nascente, poente e norte. Para a placa central anunciam "CASTANHAS, PIPOCAS, FARTURAS E OUTRAS GULODICES"!
Ora, sendo todas as actividades realizadas em locais onde nunca passam automóveis, não se percebe o motivo daqueles cortes e desvios de trânsito. Para me "baralhar" ainda mais o pensamento, o trânsito é desviado precisamente para onde há actividades e, supõe-se, maior concentração de peões. Assim temos:
  1. todo o trânsito que atravessa a Baixa no sentido nascente-poente e vice-versa é forçado a passar pela Praça do Munícipio, local que não está preparado para receber tantos automóveis e onde nem sequer há passadeiras semaforizadas, apesar de, curiosamente, nos Paços do Concelho haver sempre actividades aos Domingos
  2. na Praça do Comércio o topo norte mantém o trânsito dos restantes dias, ou seja, transportes públicos. Mais uma vez o trânsito é desviado precisamente para onde há actividades.
Junto ao rio, onde nada é anunciado é proíbida passagem! O mais grave disto tudo é que parece que estão contentes com os resultados e vai daí agora até querem espalhar esta "vírose" aos restantes dias da semana.
Pessoalmente acho que esta é a forma mais rápida de acabarem de vez com o centro histórico da cidade. Pode ser que, no futuro, ainda se dêem ao trabalho de manter as fachadas dos edifícios, criando assim um verdadeiro museu ao ar livre, com umas bonitas peças imobiliárias sem qualquer uso, e com a Baixa a abrir todos os dias, excepto segunda-feiras, das 10:00 às 18:00, tal como acontece com qualquer outro museu.
Se houver uma boa explicação para todas estas "medidas", por favor, digam-me qual é, porque eu não a consigo descortinar.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Déjà-vu

Hoje, por causa da chuva, optei por ir de autocarro até ao comboio. Por motivos probabilísticos a opção recaiu no 759 em detrimento do 718. O resultado daquela viagem foi...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Pequenos apontamentos para melhorar o serviço da Carris (uf, grande título)

  1. Fazer cumprir o disposto na legislação que rege o serviço de transporte colectivo de passageiros, nomeadamente o seu artº 189, segundo o qual será recusada a entrada nos veículos de transportes colectivos aos indivíduos em estado de embriaguez ou sujos (não refiro o ponto 2 - portadores de doenças que possam causar repulsa ou contagiar os restantes passageiros - por me parecer que não será lá muito constitucional, nem o ponto 4 - transporte de objectos perigosos ou armas de fogo - por concordar que nenhum motorista ou guarda-freio tem condições de impedir tal coisa!);
  2. Fazer cumprir o disposto na Lei nº 28/2006, de 4 de Julho, segundo o qual e através de muito palavreado se diz que quem viaja tem que pagar bilhete;
  3. Dar formação adequada aos tripulantes para que estes auxiliem as pessoas com mais dificuldade em validar os seus títulos de transporte, nomeadamente as pessoas de idade, guardando toda a valentia demonstrada nessas alturas para os casos indicados em 1. e 2.;
  4. Simplificar a informação disponibilizada nos veículos relativamente à carreira e destino. Temos actualmente a bandeira de destino, a qual alterna com outras mensagens que podem ser ou não sazonais, como "Viaje na Carris", "Feliz Natal", "Boas Festas", "10 anos do Museu da Carris", entre outras. Para além desta bandeira de destino temos ainda um círculo de acrílico de cores diferentes consoante a zona para onde se destina a carreira. Por vezes os autocarros passam de uma carreira para outra de uma zona diferente, ficando assim aquele círculo a mostrar uma côr que não devia. Aparentemente nunca nenhum passageiro foi afectado por isso. Continuando com a informação fornecida, temos agora os novos midis com bandeira multicolor, tendo o número da carreira um fundo da cor da zona onde circula, tal como a rodela acrílica. Só não se entende é porque nestes autocarros ainda se continua a usar a tal rodela. Com tanta informação dada ao passageiro, as frentes dos autocarros mais parecem o canal Bloomberg! Creio que a bandeira de destino é mais que suficiente para se saber ao que vamos, pelo menos assim o foi durante perto de 134 anos, altura em que entrou em funcionamento a primeira fase da Rede 7;
  5. Colocar nas paragens informações correctas e mapas legíveis. Há painéis com informações erradas (vejam o blog do Luís Cruz-Filipe) e paragens onde não há indicação do período em que determinada carreira passa naquele ponto (no caso de carreiras com percursos diferenciados ao longo do dia ou da semana), nem através das placas, nem pelos horários e percursos afixados. Os mapas são tão esquemáticos que se tornam inúteis para quem não conheça a cidade ou uma determinada zona da cidade;
  6. Começar a dar alguma atenção às queixas e sugestões que os clientes enviam. Há muito lixo nestas coisas (sei-o porque trabalho numa empresa de transportes), mas há muitas coisas que podem ser tidas em atenção e até implementadas sem mais custos ou afectação de recursos por parte da empresa. Agora responderem às reclamações com "o serviço agora está melhor" ou dizendo que "tal coisa é impossível de acontecer" não melhora coisa nenhuma e só afasta os clientes.
Até pode haver mais, mas assim de repente não estou a ver.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Deram-lhes um brinquedo de tamanho XXL

Num processo de rejuvenescimento iniciado pela Carris há alguns anos os antigos motoristas e guardas-freio tem saído de cena e entrado outros mais novos. Aparentemente os resultados estão a ser excelentes (afirma a empresa), com uma melhoria na imagem e na qualidade do serviço oferecido aos clientes e percebido por estes segundo os inquéritos feitos. Como disse no meu parêntesis, isto é o que afirma a empresa.
Fora do discurso oficial da empresa oiço muita gente a queixar-se destes novos "recrutas". Há uns dias o meu pai juntou-se ao coro com esta:
- Hoje andei num autocarro onde parecia que o motorista tinha ganho o autocarro no Natal. Ia mesmo contente com o "brinquedo" que lhe puseram nas mãos!
Pois é, infelizmente eu, o meu pai e muitos outros não partilhamos da mesma visão da Carris nem da das pessoas que respondem aos tais inquéritos. Muitos dos novos motoristas são autênticos Carlos Sainz esquecendo-se dos passageiros que levam lá dentro e das toneladas de autocarro que têm entre mãos.
A isto ainda acrescento a falta de vontade que geralmente demonstram, mais notada nos terminais das carreiras, quase sempre com cara de frete e sem respeito pelos clientes que transportam, dando-se ao luxo de deixarem estes ao frio e à chuva enquanto eles se mantêm fechados lá dentro a ler o seu jornal desportivo ou o 24 Horas ou, na pior das hipóteses, a fumar um cigarrinho "para descontrair". Só quando se está em cima da hora de partida é que lá abrem a porta, muito a contragosto, e lá se consegue entrar no carrinho que o patrão lhe deu.
E depois disso, já se sabe, "deixa cá aproveitar o meu brinquedo, quisto inda é melhor que os jogos da PSP" e arrancam sem mais delongas!