"Que é isto?", perguntar-se-ão todos (ou quase) os que lerem isto.
Pois eu passo a explicar. O MobCarsharing é um novo serviço que a Carris lançou oficialmente ontem e que consiste no aluguer de automóveis por um período de tempo curto. Diz a empresa que tal serviço serve de complemento ao transporte público e para diminuir o uso do carro particular na cidade e arredores.
"Como funciona?", pensarão vocês.
Os carros estão (ou estarão) estacionados em "locais estratégicos" (entenda-se com acesso aos transportes públicos) para permitir a tal complementariedade. Os utilizadores podem-se inscrever (!) por telefone, internet ou numa "loja da Carris" (desconheço se isto inclui os agentes Payshop, já que quiosques e postos de venda da Carris são quase inexistentes) e recebem um cartão Lisboa Viva (são 7 euros se a memória não me falha!) para desbloquear o automóvel. As chaves da ingnição estarão dentro do veículo!
Os carros depois de utilizados deverão ser deixados no mesmo parque em que foi levantado.
A Carris ainda pretende criar um "clube de utilizadores" os quais pagarão uma taxa de inscrição (presumo que seja a "jóia"), anuidade e um preço de utilização por hora ou quilómetro (poderemos optar pelas duas ou isso não está simplesmente definido?).
Segundo a empresa quem optar por este sistema em vez da viatura própria poderá poupar até 4 mil euros para quem não exceder os 15.000 Kms/ano, isto pelo que pouparão, para além da compra, em manutenção, seguro, combustível, impostos e parqueamento do veículo!
Haverá três tipos de veículo: citadino, unitário (?) e familiar.
E depois da apresentação da coisa agora entro eu!
Sendo, segundo a Carris, a rede de transportes da cidade de Lisboa boa, muito boa ou até excelente, porque razão resolveram agora lançar este produto? Se o que existe é excelente em termos de cobertura geográfica e temporal, segundo palavras dos próprios, algo não bate certo. Estarão a entrar em projectos inúteis? Ou terão mentido sobre a qualidade da sua própria rede?
Para além disso, o que se terá que pagar para estas "deslocações curtas" nestes carros compensará quando comparado com uma deslocação em táxi que nos deixa onde queremos, ao contrário deste serviço que nos obrigará sempre a entregar o carro onde o levantamos? Já para não falar no tempo que a "burocracia" ocupa, pois para andar de táxi não preciso fazer registo do que seja!
E qual o período de funcionamento? 7 dias por semana? 24 horas por dia? É que se não for prefiro perder os tais 4 mil euros/ano e ter o meu carro disponível 24x7!
Quanto ao aluguer em si, se a ideia é complementar a rede de transportes existente, ou seja, tapar os buracos da Carris, então prefiro, mesmo que seja mais caro, alugar o carro a outra empresa que não àquela por culpa da qual eu sou obrigado a fazê-lo. Até parece a história de se pagar ao Calatrava para que ele corrija os erros que cometeu no Oriente!
Assim se faz a história dos transportes públicos portugueses!