sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Queriam o Terreiro do Paço de volta, não queriam?

Pois é. Para aqueles que, como eu, ficaram contentíssimos ao verem o Cais das Colunas a renascer no meio daquele entulho e pensaram que finalmente iriam ter o Terreiro do Paço arranjado, trago uma notícia terrível: a partir do dia 2 de Janeiro de 2009 aquela praça fecha para obras durante 9 meses!
É que agora que aquilo está a ser finalmente reconstruído a CMLisboa resolveu fazer obras de saneamento, as quais implicam o fecho da placa central ao trânsito pedonal, ficando os peões restringidos a corredores à volta da praça, e a restrições e desvios do trânsito automóvel. E isto, repito, durante 9 meses!
Depois disto será que a Baixa ainda vai existir?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Porque me custa levantar cedo

Esta é daquelas frases que me irritam profundamente! Geralmente é proferida por quem nunca entende a minha "não pode ser mais cedo?". Irrita-me quando, no emprego, às 6 da tarde aparece sempre um energúmeno qualquer a pedir qualquer coisa "muito urgente".
- Não pode ficar para amanhã?
- Não, porque os utilizadores precisam muito disso!
- E vão precisar disso à noite?
- Não, mas amanhã de manhã já têm que ter.
- Nesse caso, amanhã de manhã faço isso. Antes das 8 e meia já cá estou!
- Pois, mas isso é muito cedo para mim!
- Azar! Agora também já é muito tarde para mim!
- Sim, mas às 8 e meia da manhã é muito cedo e custa-me a levantar!
E é assim que as coisas funcionam. Tal como há quem não goste de se levantar cedo, também há aqueles que, como eu, não têm problemas desses, mas têm o problema contrário de "não gostar de se deitar tarde". E, vá-se lá saber por que razão, estes são sempre não só vistos como "tipos estranhos", mas também pouco ou nada respeitados pelos outros.
E se para esses que não gostam de se levantar cedo é fácil de perceber que rendem mais da parte tarde, será assim tão difícil para eles perceber que para os que preferem levantar-se cedo é precisamente de manhã que as coisas rendem mais? É que para mim uma hora de trabalho matinal é muito diferente de uma hora de trabalho vespertina.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Há gajos porreiros

Numa época em que aparentemente toda a gente se está nas tintas para os outros e em que o egoísmo prevalece ainda aparece quem me surpreenda pelo altruísmo demonstrado. Foi o que me aconteceu há pouco mais de meia hora nos Restauradores e o protagonista foi um motorista da Carris: ao me ver a correr para o autocarro este motorista fechou a porta e arrancou a alta velocidade.
Com aquele gesto aquele Homem (sim, com H maiúsculo) fez com que eu apanhasse um táxi menos de 1 minuto depois, o qual me pôs à porta de casa apenas 10 minutos depois do senhor motorista da Carris ter fechado a porta e arrancado a alta velocidade.
Com aquele gesto aquele Homem fez-me poupar um bilhete da Carris (apesar de ser mais barato que uma viagem de táxi), uma viagem no meio da tropa maltrapilha que viaja no 759, uma dose de 15 a 20 minutos de música (não encontro outra palavra para descrever aquilo) que sai dos telemóveis e mp3s dos moçoilos que costumam viajar no 759 e mais uma sessão de gaseamento (lembram-se dos autocarros com cheiro?).
Com aquele gesto aquele Homem fez a Carris perder mais um passageiro/cliente, coisa que actualmente me deixa sempre extremamente feliz, e deu uma alegria a um taxista que ganhou uma corrida que, à partida, não era dele.
Com aquele gesto aquele Homem ganhou um aceno feito com um grande sentimento, daquele tipo que só do fundo do nosso Ser consegue vir, quando um certo táxi o ultrapassou na Praça do Comércio. E que gozo isso me deu.
Como vêem ainda há gajos porreiros neste mundo-cão povoado de filhos da mãe.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Qual é a pressa?

A passagem superior pedonal que ligava Alcântara-Terra a Alcântara-Mar foi desmantelada. Agora quem quer fazer esse trajecto terá que atravessar o cruzamento de Alcântara-Terra e a Avenida 24 de Julho. Se esta última travessia nem é muito problemática (apenas se perde tempo à espera do semáforo), já a primeira é um caos total. Para quem saia da estação de Alcântara-Terra as hipóteses são:
  1. atravessar o cruzamento "à maluca" junto à passagem de nível, numa zona onde não existe passagem de peões;
  2. contornar todo o largo onde desaguam as ruas Prior do Crato, Maria Pia e Vieira da Silva, o que significa passar por várias passagens de peões;
  3. passar para o outro lado da Avenida de Ceuta, atravessar o acesso que vem da ponte e voltar a atravessar a Avenida de Ceuta, voltando para o lado "original".
Tudo opções simples, certo?
Se é verdade que
a passagem superior não tinha as passadeiras a funcionar e tinha problemas de segurança (mesmo de dia metia medo), também não deixa de ser válido que a mesma permitia uma poupança de tempo e um aumento de segurança no que diz respeito às travessias destes cruzamentos.
E a mesma foi desmantelada agora nem se sabe bem porquê. É que, segundo informações surgidas na imprensa, quem a usava terá que esperar agora mais 4 (quatro) anos por uma alternativa, a qual depende de um tal projecto "Nova Alcântara".
Sabendo nós como funcionam estes projectos, que tanto podem ser feitos já, como daqui a 40 anos ou nem sequer sair da gaveta, qual a razão para tanta pressa no desmantelamento daquela estrutura? E quantos atropelamentos irão ocorrer durante as "pressas" de se passar de um comboio para outro, principalmente junto à estação de Alcântara-Terra?
Incompetência, é o nome que se dá a isto!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Às vezes sou mesmo um ignaro!

Três homens são presos pela polícia por posse de armas proíbidas entre as quais uma besta (lê-se bésta e não bêsta como oiço muita gente dizer, jornalistas incluídos) e duas réplicas de metralhadoras. Acabaram por não ir a tribunal e, por isso, ficaram em liberdade “para não prejudicar a investigação” após interrogatório na polícia e com o acordo entre esta e o ministério público. A polícia afirma que não tem dúvidas quanto ao facto de que estes homens irão ficar em prisão preventiva quando chegar a altura certa! Todos eles já são cadastrados.
Agora ficam as minhas dúvidas (nunca saí da idade dos porquês):
  1. Se não era a altura certa para os prender para não prejudicar as investigações, então porque o fizeram?
  2. Ao aparecer na imprensa que a polícia tem a certeza de que eles ficarão presos na altura certa, deixar-se-ão eles ficar sentados em casa a ver televisão à espera que alguém os vá buscar?
Sou ou não sou um ignaro?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O MobCarsharing

"Que é isto?", perguntar-se-ão todos (ou quase) os que lerem isto.
Pois eu passo a explicar. O MobCarsharing é um novo serviço que a Carris lançou oficialmente ontem e que consiste no aluguer de automóveis por um período de tempo curto. Diz a empresa que tal serviço serve de complemento ao transporte público e para diminuir o uso do carro particular na cidade e arredores.
"Como funciona?", pensarão vocês.
Os carros estão (ou estarão) estacionados em "locais estratégicos" (entenda-se com acesso aos transportes públicos) para permitir a tal complementariedade. Os utilizadores podem-se inscrever (!) por telefone, internet ou numa "loja da Carris" (desconheço se isto inclui os agentes Payshop, já que quiosques e postos de venda da Carris são quase inexistentes) e recebem um cartão Lisboa Viva (são 7 euros se a memória não me falha!) para desbloquear o automóvel. As chaves da ingnição estarão dentro do veículo!
Os carros depois de utilizados deverão ser deixados no mesmo parque em que foi levantado.
A Carris ainda pretende criar um "clube de utilizadores" os quais pagarão uma taxa de inscrição (presumo que seja a "jóia"), anuidade e um preço de utilização por hora ou quilómetro (poderemos optar pelas duas ou isso não está simplesmente definido?).
Segundo a empresa quem optar por este sistema em vez da viatura própria poderá poupar até 4 mil euros para quem não exceder os 15.000 Kms/ano, isto pelo que pouparão, para além da compra, em manutenção, seguro, combustível, impostos e parqueamento do veículo!
Haverá três tipos de veículo: citadino, unitário (?) e familiar.

E depois da apresentação da coisa agora entro eu!

Sendo, segundo a Carris, a rede de transportes da cidade de Lisboa boa, muito boa ou até excelente, porque razão resolveram agora lançar este produto? Se o que existe é excelente em termos de cobertura geográfica e temporal, segundo palavras dos próprios, algo não bate certo. Estarão a entrar em projectos inúteis? Ou terão mentido sobre a qualidade da sua própria rede?
Para além disso, o que se terá que pagar para estas "deslocações curtas" nestes carros compensará quando comparado com uma deslocação em táxi que nos deixa onde queremos, ao contrário deste serviço que nos obrigará sempre a entregar o carro onde o levantamos? Já para não falar no tempo que a "burocracia" ocupa, pois para andar de táxi não preciso fazer registo do que seja!
E qual o período de funcionamento? 7 dias por semana? 24 horas por dia? É que se não for prefiro perder os tais 4 mil euros/ano e ter o meu carro disponível 24x7!
Quanto ao aluguer em si, se a ideia é complementar a rede de transportes existente, ou seja, tapar os buracos da Carris, então prefiro, mesmo que seja mais caro, alugar o carro a outra empresa que não àquela por culpa da qual eu sou obrigado a fazê-lo. Até parece a história de se pagar ao Calatrava para que ele corrija os erros que cometeu no Oriente!
Assim se faz a história dos transportes públicos portugueses!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Dia europeu com carros

E lá se passou mais um dia europeu sem carros com o que já se esperava.
Pouco depois das 6 da tarde lá cheguei à Baixa para ir à natação e como ainda tinha tempo resolvi ver como paravam as modas e fazer umas compras. No Rossio, Rua do Ouro e Rua da Prata havia pouco trânsito, apesar de eu ter passado a uma hora em que aquelas artérias já estavam abertas ao trânsito geral. Como contra-ponto, e como eu tinha calculado, na Rua dos Fanqueiros era um caos, com o trânsito completamente parado e o ar insuportavelmente poluído (bastante mais que nos dias normais).
Isto no trânsito automóvel, porque no de peões as coisas ainda eram mais extraordinárias, ou talvez não. Tirando os turistas poucas pessoas andavam na Baixa. Nas compras que eu fiz na Pollux deu para ver os efeitos práticos destas medidas. Nunca tinha visto aquela loja com tão pouca gente. Nem foi preciso esperar por elevadores, já que os mesmos estavam parados. Em vários pisos não se via ninguém excepto os funcionários.
No fundo, estas medidas parecem ser feitas à medida dos grandes centros comerciais que existem por todo o lado. Andar a criar gabinetes e equipas de estudo para o problema da Baixa serve para quê, se depois se tomam medidas como a de ontem que são autênticas facadas no coração daquela zona?