quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Às vezes sou mesmo um ignaro!

Três homens são presos pela polícia por posse de armas proíbidas entre as quais uma besta (lê-se bésta e não bêsta como oiço muita gente dizer, jornalistas incluídos) e duas réplicas de metralhadoras. Acabaram por não ir a tribunal e, por isso, ficaram em liberdade “para não prejudicar a investigação” após interrogatório na polícia e com o acordo entre esta e o ministério público. A polícia afirma que não tem dúvidas quanto ao facto de que estes homens irão ficar em prisão preventiva quando chegar a altura certa! Todos eles já são cadastrados.
Agora ficam as minhas dúvidas (nunca saí da idade dos porquês):
  1. Se não era a altura certa para os prender para não prejudicar as investigações, então porque o fizeram?
  2. Ao aparecer na imprensa que a polícia tem a certeza de que eles ficarão presos na altura certa, deixar-se-ão eles ficar sentados em casa a ver televisão à espera que alguém os vá buscar?
Sou ou não sou um ignaro?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O MobCarsharing

"Que é isto?", perguntar-se-ão todos (ou quase) os que lerem isto.
Pois eu passo a explicar. O MobCarsharing é um novo serviço que a Carris lançou oficialmente ontem e que consiste no aluguer de automóveis por um período de tempo curto. Diz a empresa que tal serviço serve de complemento ao transporte público e para diminuir o uso do carro particular na cidade e arredores.
"Como funciona?", pensarão vocês.
Os carros estão (ou estarão) estacionados em "locais estratégicos" (entenda-se com acesso aos transportes públicos) para permitir a tal complementariedade. Os utilizadores podem-se inscrever (!) por telefone, internet ou numa "loja da Carris" (desconheço se isto inclui os agentes Payshop, já que quiosques e postos de venda da Carris são quase inexistentes) e recebem um cartão Lisboa Viva (são 7 euros se a memória não me falha!) para desbloquear o automóvel. As chaves da ingnição estarão dentro do veículo!
Os carros depois de utilizados deverão ser deixados no mesmo parque em que foi levantado.
A Carris ainda pretende criar um "clube de utilizadores" os quais pagarão uma taxa de inscrição (presumo que seja a "jóia"), anuidade e um preço de utilização por hora ou quilómetro (poderemos optar pelas duas ou isso não está simplesmente definido?).
Segundo a empresa quem optar por este sistema em vez da viatura própria poderá poupar até 4 mil euros para quem não exceder os 15.000 Kms/ano, isto pelo que pouparão, para além da compra, em manutenção, seguro, combustível, impostos e parqueamento do veículo!
Haverá três tipos de veículo: citadino, unitário (?) e familiar.

E depois da apresentação da coisa agora entro eu!

Sendo, segundo a Carris, a rede de transportes da cidade de Lisboa boa, muito boa ou até excelente, porque razão resolveram agora lançar este produto? Se o que existe é excelente em termos de cobertura geográfica e temporal, segundo palavras dos próprios, algo não bate certo. Estarão a entrar em projectos inúteis? Ou terão mentido sobre a qualidade da sua própria rede?
Para além disso, o que se terá que pagar para estas "deslocações curtas" nestes carros compensará quando comparado com uma deslocação em táxi que nos deixa onde queremos, ao contrário deste serviço que nos obrigará sempre a entregar o carro onde o levantamos? Já para não falar no tempo que a "burocracia" ocupa, pois para andar de táxi não preciso fazer registo do que seja!
E qual o período de funcionamento? 7 dias por semana? 24 horas por dia? É que se não for prefiro perder os tais 4 mil euros/ano e ter o meu carro disponível 24x7!
Quanto ao aluguer em si, se a ideia é complementar a rede de transportes existente, ou seja, tapar os buracos da Carris, então prefiro, mesmo que seja mais caro, alugar o carro a outra empresa que não àquela por culpa da qual eu sou obrigado a fazê-lo. Até parece a história de se pagar ao Calatrava para que ele corrija os erros que cometeu no Oriente!
Assim se faz a história dos transportes públicos portugueses!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Dia europeu com carros

E lá se passou mais um dia europeu sem carros com o que já se esperava.
Pouco depois das 6 da tarde lá cheguei à Baixa para ir à natação e como ainda tinha tempo resolvi ver como paravam as modas e fazer umas compras. No Rossio, Rua do Ouro e Rua da Prata havia pouco trânsito, apesar de eu ter passado a uma hora em que aquelas artérias já estavam abertas ao trânsito geral. Como contra-ponto, e como eu tinha calculado, na Rua dos Fanqueiros era um caos, com o trânsito completamente parado e o ar insuportavelmente poluído (bastante mais que nos dias normais).
Isto no trânsito automóvel, porque no de peões as coisas ainda eram mais extraordinárias, ou talvez não. Tirando os turistas poucas pessoas andavam na Baixa. Nas compras que eu fiz na Pollux deu para ver os efeitos práticos destas medidas. Nunca tinha visto aquela loja com tão pouca gente. Nem foi preciso esperar por elevadores, já que os mesmos estavam parados. Em vários pisos não se via ninguém excepto os funcionários.
No fundo, estas medidas parecem ser feitas à medida dos grandes centros comerciais que existem por todo o lado. Andar a criar gabinetes e equipas de estudo para o problema da Baixa serve para quê, se depois se tomam medidas como a de ontem que são autênticas facadas no coração daquela zona?

domingo, 21 de setembro de 2008

O Dia Europeu sem Carros por partes

Vindo do Site da CMLisboa temos tudo o que se encontra em cor-de-laranja e entre parêntesis, em cor-de-merda e em itálico o que vem da cabeça do fulano que escreve neste blog da treta:

2008-09-19
Dia Europeu Sem Carros
ALTERAÇÕES DE TRÂNSITO

No âmbito da Semana da Mobilidade, a zona da Baixa irá estar encerrada ao trânsito em geral na próxima segunda-feira, dia 22 de Setembro, entre as 8h00 e as 18h00, nos seguintes arruamentos: Praça D. Pedro IV, Rua da Prata e Rua do Ouro até à Rua da Conceição.

As alternativas ao tráfego são:

O tráfego que desce a Av. da Liberdade deverá inverter marcha na Praça dos Restauradores e seguir:

1) Para nascente – pela Rua das Pretas e Campo Mártires da Pátria em direcção ao Martim Moniz – Colina do Castelo e Av. Almirante Reis;
(Uau, e depois? Se quiser ir para Santa Apolónia o que me aconselham? Subir a colina do Castelo, seguir para a Graça, Sapadores e descer até Santa Apolónia? Ou subir a Almirante Reis virar para o Bairro das Colónias e seguir até Sapadores seguindo depois para Santa Apolónia? Ou virar para o lado da Figueira e descer a sempre congestionada Rua dos Fanqueiros?)

2) Para poente – pela Praça da Alegria em direcção à Colina do Bairro Alto – Cais do Sodré e Av. 24 de Julho.
(Perdão? Vão pôr todo o trânsito que circula na Avenida-Restauradores-Rossio e que vai para o lado do C.Sodré a circular pelo P.Real, S.Pedro de Alcântara e Alecrim?!)

O tráfego que desce o Martim Moniz será encaminhado para a Av. Infante D. Henrique pela Rua dos Fanqueiros para nascente, e pela mesma Avenida e Av. Ribeira das Naus, a poente.
(OK, lá está a tal "saída" da Rua dos Fanqueiros!)

O tráfego vindo de poente terá que aceder à zona da Av. da Liberdade pelo Cais do Sodré, Rua do Alecrim, Praça Luís de Camões e Príncipe Real.
(E não é que vão mesmo pôr o trânsito todo por ali? Nem quero imaginar o que vai ser aquele Camões neste dia!)

O tráfego vindo de nascente terá que aceder ao Martim Moniz e à Av. da Liberdade pelas Ruas da Alfândega e da Madalena.
(Ai que lindo. E são duas ruas que têm sempre uma capacidade tão grande de escoamento de tráfego!)

Os Transportes Públicos e autocarros de turismo irão manter a sua circulação nas ruas vedadas ao automóvel particular.
(Só faltava que fosse o contrário! Seja como for, com a confusão que vai haver nas ruas circundantes...)

O acesso às garagens e parques de estacionamento, bem como a circulação de veículos prioritários serão assegurados.
(Óptimo, assim garantem que os veículos dos senhores vereadores possam ir directamente da Avenida da Liberdade para os Paços do Concelho!)

E se fossem para a ... que os fez dar à luz?

sábado, 20 de setembro de 2008

A Carris no seu melhor! (tenho que começar a arranjar mais imaginação para estes títulos)

Mais uma para a lista da Carris.

Ontem, pelas 20:15 lá estava eu na paragem da Praça do Comércio numa vã esperança que aparecesse o 781 quando aparece um 759 (ao fim de quase 10 minutos de espera decidi-me ir naquele autocarro "já com cheiro" - se não apanharam a piada vejam isto). O tripulante era, como não podia deixar de ser nos tempos que correm, mais uma carinha laroca. Na paragem havia muita gente, fruto do enorme tempo de espera a que o pessoal desta zona se sujeita sempre (como a Carris insiste em afirmar que agora está tudo muito melhor, deduzo que os tempos de espera longos sejam uma excepção em toda a rede). Uma dessas pessoas era amblíope (pelo menos pareceu-me). O autocarro pára, não sei se propositadamente ou se apenas por acaso, mesmo em frente a essa pessoa. Os grunhos (existem e são muitos no 759) entraram logo de rompante à frente dessa pessoa. Ela lá entra e tenta fazer aquilo que muitos dos que vêem e andam naquela carreira de m3rd@ raramente fazem: validar o título de transporte. Eu e outro passageiro tentamos ajudá-la. Entretanto forma-se um amontoado de passageiros atrás de nós. A carinha laroca e um outro funcionário da Carris que entretanto entrou no autocarro nada fazem para ajudar o passageiro. Ao fim de alguns segundos a carinha laroca atira num tom rude e bem a despropósito um "VAI FECHAR". Lá nos arranjamos o melhor que pudemos para que o imbecil do tripulante fechasse a porcaria da porta (se ia atrasado nós seremos, com toda a certeza, os menos culpados). Finalmente lá se conseguiu fazer com que a maquineta lê-se o raio do passe ou bilhete. Isto sempre com a ajuda dos outros passageiros porque tanto a carinha laroca como o "boleias" nunca se deram ao trabalho de fazer o que quer que fosse para ajudar aquele passageiro com e em dificuldades.
O autocarro chega a Santa Apolónia. O passageiro amblíope vai sair e fá-lo pela porta da frente (sempre é mais fácil para eles do que sair pela porta de trás). Primeira fase da operação: dar com a porta da frente. A carinha laroca deixou-se ficar impávido e sereno sem abrir a boca, nem que fosse para avisar os passageiros que estavam na paragem para aguardar um pouco. O "boleias" deixou-se estar encostado com as mãos literalmente nos bolsos ("tocar em passageiros, ai que nojo"). O passageiro lá conseguiu descobrir o sítio certo da porta, mas só com a ajuda dos passageiros que entretanto tinham entrado.
E é assim a história.
Nos entretantos a Carris continua alegre e imbecilmente a afirmar que as coisas são uma maravilha e que em inquéritos de satisfação toda a gente está muito feliz, não só com o serviço, mas também com os tripulantes (provavelmente para justificar a "renovação" de pessoal). Quanto a mim...

Como complemento coloco parte da notícia do Correio da Manhã que me levou à piada do "com cheiro", não vá aquilo deixar de estar disponível no futuro. Reza assim:
A Carris vai investir cerca de cem mil euros numa campanha multi-sensorial, que se traduz por autocarros com cheiro a manjerico, limão e brisa do mar, música ambiente e uma textura resistente em todos os assentos.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

12+1=3

Sim, é mesmo isso, não foi “erro de teclado”. Eu escrevi mesmo (agora por extenso para que não restem dúvidas) doze mais um igual a três.
Esta aritmética “progressista” vem na edição de hoje do Diário de Notícias numa notícia relativa à detenção de 12 indíviduos na Póvoa do Lanhoso por estarem a jogar às cartas a dinheiro e de um “terceiro” por estar a assistir.
Se não acreditam vejam aqui o que foi escrito. O parágrafo é:
A GNR da Póvoa de Lanhoso deteve 12 homens, entre os 35 e os 55 anos, que estariam alegadamente a jogar cartas a dinheiro e um terceiro indivíduo que estava a presenciar o crime, num bar daquele concelho do distrito de Braga. Os indivíduos foram ontem presentes ao tribunal local. Na altura da detenção, sábado à noite, os militares apreenderam mais de dois mil euros e diverso material relacionado com a prática do crime.
Mais uma vez não deve haver ninguém para reler o que se escreve!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Coisas

Um homem condenado a pena de prisão por furto, foge da mesma. Esse homem rouba um carro de uma empresa, mas acaba por se despistar. Esse carro é avistado por um funcionário da empresa proprietária que chama a GNR. A GNR chega ao local, faz algumas buscas e acaba por apanhar o homem, que, caso não se lembrem, estava preso por roubo, fugiu da prisão e roubou um automóvel. O homem vai a tribunal e o juíz manda-o em liberdade porque, depois de se ter evadido da prisão, ninguém se lembrou de emitir um mandato de captura!
Dois homens tratam de negócios relativos a vendas de propriedades e desentendem-se quanto ao pagamento, com um a acusar o outro de não ter sido paga uma determinada quantia. O caso passa para a esquadra da PSP onde o suposto lesado pretende apresentar queixa contra o suposto faltoso. O suposto faltoso entra na esquadra nesse mesmo momento e atinge o queixoso com 4 dos 5 tiros que dispara, tendo sido imediatamente preso. O queixoso está em estado crítico no hospital. O atirador é levado a tribunal e o juíz manda-o em liberdade, com termo de identidade e residência e com a obrigatoriedade de se apresentar semanalmente na esquadra da PSP (curiosamente o local do crime) e tudo isto porque o juíz considerou que o atirador não tem cadastro, estava a ser ameaçado e perseguido e agiu emocionalmente.
Entretanto os juízes continuam-se a queixar de que são mal vistos pela sociedade.