terça-feira, 8 de julho de 2008

(Dis)Funcionais

As estações de metro, seja em que parte do Mundo for, são, supostamente, estruturas concebidas e construídas tendo em mente a função a que se destinam, devendo ser, por essa razão, o mais racionais possível.
O mesmo se passa com as estações do Metropolitanto de Lisboa da fase pré-25 de Abril, inauguradas entre Dezembro de 1959 e Dezembro de 1972. Eram estruturas simples, extremamente racionais no seu desenho e, inicialmente, sóbrias e sem qualquer tipo de acessórios que a partir dos finais dos anos 1980 começaram a encher as estações do Metropolitano de Lisboa.
Nessa época as estações eram compostas por 2 níveis, sendo o inferior a gare (plataformas e vias), à qual se acedia por escadas existentes num ou em ambos os extremos das plataformas, que por sua vez faziam a ligação a um nível intermédio, constituído por um átrio onde se situavam as bilheteiras e as escadas de acesso à rua. A racionalidade deste desenho era espantosamente simples, sendo o percurso efectuado pelos passageiros bastante linear, descendo do nível da rua para o átrio no nível intermédio e deste para a gare, sem necessidade de “voltas atrás” nem mais desvios. Mesmos as estações apenas com átrio/saída num dos extremos eram funcionais e permitiram, mais tarde, o aumento do comprimento das plataformas de 2 para 4 e de 4 para 6 carruagens.
Em meados dos anos 1980 assiste-se a nova fase de crescimento da rede, depois de 16 anos de estagnação (se não tivermos em conta as obras que várias estações sofreram para aumento do tamanho das plataformas), com a inauguração em 1988 das extensões Sete Rios-C.Militar e Entrecampos-Cidade Universitária. As estações dessa fase diferiam das anteriores pelo facto de possuírem um único átrio central, situando-se as escadas de acesso às plataformas junto ao centro das mesmas. Embora fossem funcionais o trajecto feito pelo público nestas estações tornou-se mais “sinuoso” que nas anteriores, com os passageiros a entrar no tal átrio central, do qual saiam, geralmente, escadas dos dois lados para acesso às plataformas. Nesta fase “nasceu” a estação mais escondida da rede, a das Laranjeiras, com a entrada/saída para o exterior dentro de um pátio que por sua vez se situa no meio de alguns prédios, com uma passagem por baixo de um deles para a rua. Quando se sai da estação não há grande problema, o pior é quando se quer entrar nela e não se conhece bem a zona! É desta fase a ideia de tornar as estações de metro em obras de arte, com muitos paineis de azulejos, esculturas e pisos polidos impróprios para dias de chuva.
Seguem-se os anos 1990, altura em que surgiu aquilo a que eu chamo de “Geração Fantástica” em termos de estações de metro. Nesta época a obsessão do Metropolitano de Lisboa pela arte fê-lo esquecer por completo o objectivo das estações de metro, surgindo verdadeiros abortos arquitectónico-funcionais. Paradigma desta época é a estação Baixa-Chiado, onde se conseguiu juntar numa única estação os dois modelos anteriores, com escadas de ligação entre as plataformas e o átrio intermédio nos extremos das primeiras (como nas estações da primeira fase) e o átrio intermédio no centro da estação (como nas estações dos anos 1980). O resultado é uma aberração em termos funcionais, com os passageiros a serem obrigados a percorrer uma distância enorme desde que entram no átrio intermédio até chegarem à plataforma. Também a estação do Rato sofre do mesmo mal.
No Cais do Sodré a coisa ainda é pior. Começando pelo nível da rua, ninguém se lembrou de pôr aquela estação a servir aquela zona da cidade, não existindo uma única saída que atravesse a Av. 24 de Julho, obrigando muitas pessoas a amontoarem-se no estreitíssimo passeio existente entre a faixa bus e a faixa para o restante trânsito. Do outro lado da estação dos caminhos-de-ferro o interface com a Transtejo que era para ser desnivelado acabou por ser ao nível da rua, obrigando milhares de pessoas a atravessarem a Rua de Cintura do Porto de Lisboa, com as consequências que daí advêm quer em termos de segurança, quer em termos de trânsito. Descendo para a estação do metro propriamente dita, descobrimos uma estação onde temos que virar de direcção mais do que uma vez para finalmente chegarmos à plataforma. O caminho directo que existia nas antigas estações foi aqui completamente esquecido. São átrios, patamares e escadas que nunca mais acabam, com uma sinalização de duvidosa utilidade para quem não está familiarizado com tamanha confusão de estação. E como se isso não bastasse as paredes são forradas com um irritante coelho da Alice no País das Maravilhas a dizer que não tem tempo a perder.
Continuando cronologicamente para as seguintes, vamos até ao Terreiro do Paço e Santa Apolónia, últimas estações a serem inauguradas. A primeira não a conheço, apenas passei por lá, mas pelo que me deu a entender não existe, pelo menos para já, nenhuma saída directa do metro para a estação do Sul e Sueste, já que vejo muita gente a usar uma saída situada junto ao antigo terminal dos barcos do Seixal e Montijo, já perto da doca da Marinha, e a voltar para trás para a estação do Sul e Sueste. Se isto não estiver correcto agradeço quem me corrijam.
Segue-se Santa Apolónia, a qual já conheço melhor. Tem o mesmo defeito que o C.Sodré: não foi construída para servir aquela zona da cidade. Apenas tem saída para o lado do rio, onde não faz grande ligação a nada, já que fica afastada das paragens de autocarro existentes desse lado, e para o interior da estação de caminhos-de-ferro. E mesmo essa saída está mal situada, já que os passageiros são despejados directamente na gare de caminhos-de-ferro, longe das bilheteiras. Pode ser muito útil para passageiros de suburbanos que estejam munidos de passe ou de pré-comprados, mas e os outros? Ainda por cima e legalmente só podem circular pelas gares quem esteja munido do respectivo título de transporte. Dessa forma, aos passageiros que pretendam adquirir bilhete para o comboio têm a alternativa de seguirem “ilegalmente” pela plataforma da linha 5 em direcção à saída da estação até chegarem à bilheteira, ou sairem da estação e irem pela rua voltando a entrar na estação uns metros mais à frente. E teria sido tão simples terem feito qualquer coisa de bem feito neste caso. Bastaria terem construido outro átrio ou o mesmo mas mais a sul e com saída no átrio principal da Estação de Santa Apolónia mesmo junto às bilheteiras!
E assim se faz a história das estações do Metro de Lisboa, com várias fases bem distintas e com a funcionalidade das estações a desenvolver-se de forma inversa ao do desenvolvimento preconizado pelas florezinhas e outras mariquices que enfeitam as estações actualmente.
Mas se calhar "é disto que o meu povo gosta"!

terça-feira, 1 de julho de 2008

O grande sucesso dos transportes públicos portugueses

Ultimamente têm-se repetido as notícias na comunicação social que referem o aumento do número de utentes dos transportes públicos nacionais, situação que não se registava há vinte anos. Todos os transportadores estão satisfeitos com isso, o que é natural, e, penso eu, qualquer defensor do uso dos transportes públicos como base de uma sociedade sustentável quer ecológica, quer economicamente também o está.
Mas o problema do actual contexto surge quando se pergunta aos novos utentes dos transportes públicos o que os levou a mudar. A reposta é, invariavelmente, o custo dos combustíveis. Nenhum ou quase nenhum diz que o fez por o serviço prestado pelas empresas de transportes públicos ser bom ou, pelo menos, menos mau que o uso do automóvel.
As empresas de transportes parece que não viram ou não quiseram ver isto. Continuam a propagandear os excelentes resultados em termos de utilização como se isso se devesse a melhorias do serviço por eles prestado. A Carris continua a passar a ideia que a Rede 7 está a ser um sucesso, sendo essa a razão do ganho de clientes. O Metropolitano de Lisboa afirma que isso se deve à inauguração da ligação a Santa Apolónia, a CP diz que tal se deve à reabertura do Túnel e Estação do Rossio (em Lisboa) e aos investimentos feitos em material nos últimos anos (no Porto).
Mas se as pessoas afirmam que fizeram esta mudança apenas porque os combustíveis estão caros, o que acontecerá quando o preço (relativo ou absoluto) destes baixar? Ou quando os carros eléctricos ou movidos a pilha de hidrogénio (também são eléctricos, sendo o hidrogénio usado apenas para gerar a electricidade) se tornarem mais acessíveis e mais fiáveis? E estes cenários ainda se agravam mais pela atitude das várias administrações das diversas empresas, que insistem em passar a ideia que as políticas que têm seguido estão a ter bons resultados, escondendo assim a realidade dos transportes públicos em Portugal.
Esperemos para ver o que o futuro nos reserva.

sábado, 28 de junho de 2008

A Carris no seu melhor!

Mais uma volta, mais uma viagem. Decididamente eu devo ter muito azar, ou então sou eu próprio quem dá azar ao 759, carreira magnífica segundo a Carris.
Desta vez o autocarro chegou aos Restauradores já atrasado, mas não muito, apenas o suficiente para sair de lá com 3 ou 4 minutos de atraso (excelente para aquilo a que me habituei nesta carreira), com a bandeira de destino "virada" para a Estação do Oriente. Apenas 50 metros depois, no Largo D. João da Câmara, começou a palhaçada.
O rádio dá sinal de chamada da central e o autocarro fica, a pedido desta, parado à entrada do Rossio 10 (dez) minutos, tempo durante o qual a bandeira foi "virada" para o ISEL (e pimba, lá se foi metade do percurso da carreira) e o autocarro, que ia com os tais 3 ou 4 recuperáveis minutos, passou a ter cerca de 15 minutos de atraso.
Felizmente para todos os que já iam dentro do autocarro (motorista incluido, pois só um santo é que aguenta tanta coisa com paciência) ninguém ia para além do ISEL (o que para mim só corrobora a ideia que tenho do 759 não ser muito "querido" pelo pessoal dos Olivais). Desta vez nem enviei reclamação para a Carris. Desta vez reclamei no site Livro Amarelo na Net, para além daqui - ok, aqui é mais um relato que uma reclamação - não para que a Carris me responda, mas apenas para que estas coisas comecem a ser públicas e não apenas uma mera questão entre o reclamante e a empresa.
Já me esquecia, desde Dezembro, quando abriu o metro até Santa Apolónia, que a Carris anda a monitorar a utilização desta carreira. Para bom entendedor...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Pela liberdade de circulação

Quando será que voltarei a ter um fim-de-semana lisboeta sem interrupções de trânsito motivadas por actividades dos mais variados tipos? Para além do já habitual, e de duvidosa utilidade, fecho da Pr. Comércio no Domingo, para o próximo fim-de-semana temos uma manifestação da CGTP entre o Camões e o Rossio, via Alecrim, C.Sodré, Pr. Comércio e R.Prata, e filmagens na R. S. Paulo.
Na semana passada foi o ciclismo na Vasco da Gama e Pq Nações, na outra foi não sei o quê, na próxima será não sei que mais...
E isto já dura há meses!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Quero ser surpreendido pela positiva

Cada vez as pessoas me desiludem mais e sempre que conheço alguém que até aparenta ser decente acabo por vir a descobrir que não passa de "fancaria". Será este sentimento fruto da idade (em tempos alguém me disse que os 30 são a idade da desilusão)? Será que resulta apenas do facto de não sentirmos tanto as coisas boas e estas acabam por nos "passar ao lado", sentindo apenas ou mais intensamente as que nos magoam? Mas se for esse o caso, há excepções, pois há quem me tenha surpreendido pelas melhores razões e que acabaram por ficar bem presentes na minha vida.
Um dos aspectos mais tenebrosos da questão é o da máscara que as pessoas que surpreendem negativamente geralmente usam. No meio de tudo isto, já percebi que os que mais criticam são os piores e, como se não chegasse, criticam os outros precisamente por aquilo que eles próprios fazem. E como tenho medo de vir a ficar como eles acabo por ficar com vontade de
não criticar ninguém e engolir o que vejo e sinto.
Ainda por cima convencem-se que os outros são parvos, cegos, incapazes de abrirem os olhos nem que seja uma vez na vida, o que leva a que a máscara que usam seja descoberta por este ou por aquele motivo. São as contradições que acabam por aparecer, os deslizes que acabam por cometer, o simples esquecimento da existência de memória (que contradição, esquecerem-se da memória), recontando a história a quem a viveu mas de uma forma mais "liberal" ou, mais simplesmente, um outro esquecimento de que o Mundo é mesmo pequeno e que as relações interpessoais são uma rede e com conhecimentos comuns ao invés de uma fila elementos individuais ligados entre si.
Não haverá por aí quem me alegre um pouco surpreendendo-me positivamente?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Ocorreu um milagre e eu estava a nadar e não vi!

Durante todo o dia de hoje só se ouvia falar de postos de combustível "secos", assisti a filas intermináveis noutros e muita gente aflita com medo de ficar sem gasóleo ou gasolina para o seu automóvel.

Vou para a natação e quando saio o que vejo: vários carros às voltinhas nos Restauradores, no Rossio, no Comércio cheios de bandeirinhas e bandeironas de Portugal (algumas não eram bem bandeiras nacionais, mas passa) a buzinarem e a "borrifarem-se" para a cor dos semáforos.

Como estava a nadar não vi nada, mas será que ocorreu durante os 40 minutos de aula de natação (mais 20 para o despe-e-veste) algum milagre e começou a chover combustível? Ou será que os automóveis de repente passaram a carburar apenas ar?

Assim funciona este país...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Ai, Portugal, Portugal!

Parece mentira, mas não é. A Sotagus, empresa do grupo Mota-Engil e concessionária de parte do Terminal de Contentores de Santa Apolónia, anunciou que irá parar as suas operações durante os jogos do Campeonato da Bola. Perante as queixas dos armadores e operadores acabou por recuar, mas só alguns centímetros, esclarecendo que será "só" durante as meias finais e a final. E assim se faz um país.

Ah, já me esquecia. Uma das grande apostas estratégicas dos nossos governantes é tornar os portos nacionais numa das portas de entrada da Europa. Acho melhor começarem a olear ou a substituir as dobradiças!