quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Certificações da Qualidade

Li no Destak de hoje que a CERTIF, que segundo o artigo é uma “instituição que tem vindo a colaborar com os vários operadores de transportes públicos” na obtenção das certificações da qualidade, concluiu a “elaboração dos requisitos técnicos que permitirão avaliar a qualidade do serviço prestado pelas redes do metro”.
Quer este relambório todo dizer que depois de algumas empresas de autocarros (e eléctricos no caso da CCFL) e ferroviárias (CP e Fertagus) a praga das certificações da cólidade vai agora atacar os metros (enterrado em Lisboa, desenterrado no Porto e atascado em Almada).
A vantagem destas certificações é, segundo a CERTIF, o aumento da procura dos transportes públicos.
Confesso que não entendo como é que tal é possível: as certificações de qualidade não têm qualquer efeito prático no fim dos atrasos dos transportes, continuo sem ter lugar sentado no comboio, deixei de andar nos autocarros da CCFL, depois de muitos anos a usá-los e sem estarem certificados. Esta gente esquece-se que o que as pessoas querem é isso mesmo: transportes com horários apelativos, com o mínimo de atrasos, com percursos adequados às necessidades de quem os utiliza, com transbordos e tempos de transbordo o mais minimizados possível. Se nada disto existe o pessoal está-se nas tintas para o autocolante ou cartazes a dizerem “Empresa Certificada”.
E como disse, antes da CCFL ser certificada eu era cliente, agora que ficou certificada passou a ter muito menos qualidade e eu deixei de ser cliente.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Rede 7

No dia 9 de Setembro de 2006, a CCFL (conhecida como Carris) brindou a Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Lisboa (conhecida como Lisboa) com uma coisa a que chamou de Rede 7.

Para explicar aos clientes o que era essa Rede 7 a CCFL gastou cerca de 300 000 euros (de acordo com artigos que li na imprensa nessa altura) em cartazes, folhetos e a banda da CCFL no piso superior de um antigo Daimler, ao qual lhe retiraram o tejadilho.

Essa Rede 7 acabou com várias carreiras, alterou muitas outras e criou algumas, sendo que essas “algumas” não são carreiras novas, mas sim renumerações ou carreiras que servem troços que anteriormente eram assegurados por carreiras que acabaram, foram encurtadas ou foram alteradas. Carreiras realmente novas: NADA! Na minha zona, e ao contrário do que a CCFL apregoou semanas a fio, o serviço ficou reduzido, sendo essa redução bem sentida à noite e aos fins-de-semana.

Ao fim de quase 3 meses de Rede 7 (fase 1: sim, parece que a CCFL não ficou contente com a bosta que fez em Setembro e ainda quer mais) e do que já vi:

• Os serviços novos (carreiras que tiveram o percurso alterado ou que passaram a funcionar a horas a que antes não funcionavam) ainda não conseguiram captar novos clientes. Já vi alguns (70)1 (Charneca-C.Ourique) na zona de Campolide à hora do almoço sempre com menos de 10 pessoas lá dentro. No (7)32, que agora funciona aos fins-de-semana ao contrário do “antigo” 32, nunca o vi, na zona da Baixa e aos fins-de-semana, com mais de 5 pessoas. Com o (7)55, que parte do Poço do Bispo, acontece o mesmo.

• Nas zonas onde diminuíram o serviço a procura também foi “atrás”. O (7)18, única carreira a fazer o eixo Xabregas-Poço do Bispo pelo interior do Beato, anda agora mais vazio do que quando o “antigo” 18 tinha como companheiro o 105, que, por “falta de procura” foi suprimido com a Rede 7.

• Há carreiras que têm que fazer o “trabalho” de 2 ou 3, como acontece com o (70)8 e o (7)59 na zona dos Olivais. O resultado são carreiras com percursos estupidamente longos, com voltinhas que nunca mais acabam e que por isso acabam por ser pouco atraentes para quem as queira usar.

• Aos fins-de-semana os horários foram reduzidos e mesmo assim há falhas, estando-se por vezes 45 minutos (como já estive) à espera de um autocarro de uma carreira que “oficialmente” tem um frequência de passagem de 20 em 20 minutos.

• Depois ainda há uma situação de bradar aos céus: a CCFL retirou de serviço por terem atingido a sua vida útil os MAN 10150 HOCL, os tais autocarros médios que andavam pelo Castelo, na 100 e na 13, mas não se precaveu desse facto e não comprou autocarros que os substituíssem. Para compensar comprou carrinhas Mercedes-Benz, tipo cigano-da-feira, com meia dúzia de lugares e resolveu dividir algumas carreiras em 2 troços, 1 com autocarros standard e outro, nas zonas mais sinuosas, com carrinhas destas, obrigando as pessoas a fazerem transbordo. Como todos sabemos o sonho de qualquer viajante é poder andar a mudar de transporte constantemente e não ter um transporte directo desde a sua origem até ao destino pretendido…. Gente estúpida.

• E o Presidente da CCFL ainda dizia que só havia 25 queixas e que o problema era de falta de hábito das pessoas!

Apesar de ter estado a deitar abaixo a Rede 7 da CCFL, pessoalmente até ganhei com ela. Agora faço todos os dias uma caminhada de perto de 2 Kms (só ida, porque a volta é outro tanto) o que me provocou uma perda de massa corporal (vulgo, gordura) da ordem dos 3 Kgs em 2 meses, fora o dinheiro que tenho poupado com a não compra do passe. E o engraçado é que, ao contrário do que a CCFL afirmou na altura, a oferta não melhorou mesmo nada e eu faço esses tais cerca de 2 Kms em cerca de 25 a 30 minutos e são frequentes as vezes em que nesse longo período de tempo não passa por mim nenhum autocarro. E estou a falar de dias da semana, à hora de ponta. Será de atrasos? À tarde até pode ser que sim, mas às 7:30 da manhã!!!!?????

Um grande bem-haja aos moços que já moraram em Santo Amaro e agora moram em Miraflores, que com isto o mais certo é não virem a ganhar novos clientes mas que, com toda a certeza, irão perder parte dos antigos.

E, já me esquecia, RETIREM A MERDA DAS BOLINHAS COLORIDAS DA FRENTE DOS AUTOCARROS E PONHAM AS PLACAS DAS PARAGENS SEM ESSA MERDA TAMBÉM. Aquilo não serve para nada.

E eu que até defendo o uso do transporte público...

A Cidade Muda, a Carris Piora

domingo, 27 de agosto de 2006

A ignorância II

Afinal não é só o jornalista do Correio da Manhã que pensa que o sistema solar fica mais pequeno, também no Diário de Notícias há quem pense o mesmo, embora aqui tenham optado por utilizarem umas aspas no título para disfarçar a coisa (a notícia).

De qualquer das formas continuam com a história da "despromoção"!!!!!!!!! Mas que gente mais estúpida é esta que vai para esta profissão! A ver se entendem:

1 - O SISTEMA SOLAR NÃO ENCOLHEU

2 - PLUTÃO NÃO FOI DESPROMOVIDO, APENAS FOI RECLASSIFICADO

3 - ASTRONOMIA NÃO TEM NADA A VER COM ASTROLOGIA

Se fossem espertos teriam ido para outra coisa, não era?

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

A ignorância

Resolveu-se hoje, dia 24 de Agosto, no 26º Congresso da União Astronómica Internacional a controvérsia que já durava há anos sobre se Plutão deveria ou não ser considerado um planeta, sendo que na solução a que se chegou este astro deixa de ser considerado planeta.

No site do Correio da Manhã esta resolução vem noticiada não como se Plutão tivesse deixado de ser considerado como um planeta, mas sim como se Plutão tivesse passado a não ser considerado como pertencendo ao Sistema Solar.

Claro que para o jornalista que escreveu tamanha barbaridade dizerem-lhe que um astro deixou de ser considerado planeta ou que esse astro deixou de pertencer a um determinado sistema solar vai dar ao mesmo. Afinal o mais certo é que o autor da peça seja, em termos académicos, oriundo da área de letras, a qual, como se sabe, não prima pela capacidade científica e intelectual da maioria dos seus componentes, pois essa grande maioria foi lá parar porque “aquela cena é fixe, nem matemática tem”.

Como se isto não bastasse ainda conseguiu misturar ASTRONOMIA (que é uma ciência) com ASTROLOGIA (que é uma aberração). Mas o que é que a definição do que são planetas e se Plutão entra ou não nessa definição têm a ver com a minha sexualidade e a minha (livra) morte? E o que é que a morte tem a ver com quecas? Se não entenderam esta vejam a notícia no link.

E é para isto que se criaram cursos superiores de comunicação social…

NOTA DE RODAPÉ (15/Jun/2008): entretanto a notícia do CM deixou de estar disponível na Internet

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Expliquem-me, por favor!

Fiquei hoje a saber pela imprensa (des)informativa nacional que existem organismos estatais que não cumprem a lei de acesso aos serviços, segundo a qual têm direito de "passar à frente" grávidas, idosos, deficientes e advogados e solicitadores.

Que as grávidas, os idosos e deficientes passem à frente ainda percebo, agora os advogados e os solicitadores?! O que é que eles são a mais em relação a mim? Isto acontece porque as leis são feitas pelos políticos e porque perto de 100% deles são advogados e outras coisas dessas?

Os outros, mais uma vez, que auto-pratiquem o acto sexual. Isto é o que dá viver num país que teve um 25 de Abril, mas que nunca soube perder a mentalidade do 24.

Já agora fica aqui mais uma história em homenagem aos serviços do estado, aos políticos e aos simplexes e a toda essa merda: uma pessoa que mude de casa, mesmo que não saia da freguesia onde habitava antes, não pode simplesmente mudar a morada nos dados constantes no registo civil, ou lá como se chama aquilo. Tem que fazer um Bilhete de Identidade todo novo, apesar dos dados nele constantes serem os mesmos que no Bilhete de Identidade antigo. Parece anedota, mas é mesmo verdade.

Tudo isto faz sentido para vocês? Eu, sinceramente, não percebo. Expliquem-me, por favor!

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Responsabilizar é isto mesmo

No Diário de Notícias de ontem, dia 14, vinha uma pequena notícia de última página que eu achei deveras interessante. O cineasta chinês Chen Kaige foi condenado a uma multa de um valor equivalente a cerca de 9000 €. Tal sanção deveu-se ao facto de o tal cineasta ter causado danos na reserva natural de Shangri-la, no sul da China, durante a realização de filmagens para o filme A Promessa. Depois de meses de investigação, concluiu-se que a equipa de filmagens para além de nunca ter apresentado estudos de impacto ambiental ainda fez umas construções provisórias que afectou a paisagem das margens do lago Bigu. Para além do cineasta, também o governo regional foi condenado por negligência, embora a notícia não indique qual a sanção aplicada. Isto passou-se na China.

E nesta merda de país, que se chama Portugal, como seria?

Cá nunca ninguém sabe de nada, nunca ninguém é culpado, agem sempre de boa-fé e enfim, são todos uns santos.

O presidente da CML, por exemplo, faz negócios esquisitos com um construtor que depois vem a construir na Av. Infante Santo um mamarracho, sem que para isso tivesse pago à CML o que deveria, mas que afinal até pagou, através da troca feita com a CML de uns terrenos ou edíficios, mas que afinal ainda deveria ter que pagar qualquer coisa, e .............. uma grande embrulhada pela qual ninguém é culpado, como sempre.

Na Madeira temos um governo regional que desbarata os dinheiros publicos enviados pelos explorados do território continental e a quem ele achincalha constantemente. Como se isso não bastasse a Madeira é, tal como qualquer ilha tropical ou sub-tropical que se preze, uma espécie de empresa familiar, com os cargos políticos todos bem distribuídos por familiares, amigos e outros lambe-ânus que por lá deambulam. Mais uma vez ninguém é culpado de coisa nenhuma.

Tivemos um presidente de câmara em Lisboa e que mais tarde foi Primeiro-Ministro, que em ambos os cargos só fez merda, mas, como sempre, ninguém é culpado de nada.

Nas empresas públicas sempre tivemos administradeiros com camisas da côr da moda da altura que só fizeram merda e rebentaram com aquilo tudo. Ninguém é responsável por nada.

Um ex-ministro do CDS/PPopularucho andou metido nuns negócios estranhos relativos a um empreendimento turístico do BES (amén) que provocou o abate de não sei quantas centenas de sobreiros na zona de Salvaterra de Magos, mas, e apesar da lei dizer o contrário, parece que não houve delito.

E o rol segue interminavelmente.

E depois admiram-se que os chineses estejam a tomar conta disto tudo. É que este tipo de impunidade e desresponsabilização que por cá grassa espalha-se por todo o país e por todas as pessoas. Eu próprio também já entrei no jogo. Para quê preocupar-me em fazer bem ou pelas regras se ainda sou penalizado por isso. O que eu quero é viver a minha vidinha e o resto que se lixe.

Enquanto isso os chineses vão subindo.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Eles que paguem

A UNICEF pediu à comunidade internacional 24.000.000 de dólares, com urgência, para ajuda às vítimas da guerra “que não existe”, mas que acontece, no Líbano.

Considero os objectivos de tal pedido mais que meritórios, mas acho que estão é a pedir às pessoas erradas. Se há alguém que deva dar esse dinheiro, esse alguém será os broncos dos EUA, os judeus de Israel e os árabes da Petrolândia.

Eles que paguem, porque os outros não têm culpa.