terça-feira, 22 de agosto de 2006

Expliquem-me, por favor!

Fiquei hoje a saber pela imprensa (des)informativa nacional que existem organismos estatais que não cumprem a lei de acesso aos serviços, segundo a qual têm direito de "passar à frente" grávidas, idosos, deficientes e advogados e solicitadores.

Que as grávidas, os idosos e deficientes passem à frente ainda percebo, agora os advogados e os solicitadores?! O que é que eles são a mais em relação a mim? Isto acontece porque as leis são feitas pelos políticos e porque perto de 100% deles são advogados e outras coisas dessas?

Os outros, mais uma vez, que auto-pratiquem o acto sexual. Isto é o que dá viver num país que teve um 25 de Abril, mas que nunca soube perder a mentalidade do 24.

Já agora fica aqui mais uma história em homenagem aos serviços do estado, aos políticos e aos simplexes e a toda essa merda: uma pessoa que mude de casa, mesmo que não saia da freguesia onde habitava antes, não pode simplesmente mudar a morada nos dados constantes no registo civil, ou lá como se chama aquilo. Tem que fazer um Bilhete de Identidade todo novo, apesar dos dados nele constantes serem os mesmos que no Bilhete de Identidade antigo. Parece anedota, mas é mesmo verdade.

Tudo isto faz sentido para vocês? Eu, sinceramente, não percebo. Expliquem-me, por favor!

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Responsabilizar é isto mesmo

No Diário de Notícias de ontem, dia 14, vinha uma pequena notícia de última página que eu achei deveras interessante. O cineasta chinês Chen Kaige foi condenado a uma multa de um valor equivalente a cerca de 9000 €. Tal sanção deveu-se ao facto de o tal cineasta ter causado danos na reserva natural de Shangri-la, no sul da China, durante a realização de filmagens para o filme A Promessa. Depois de meses de investigação, concluiu-se que a equipa de filmagens para além de nunca ter apresentado estudos de impacto ambiental ainda fez umas construções provisórias que afectou a paisagem das margens do lago Bigu. Para além do cineasta, também o governo regional foi condenado por negligência, embora a notícia não indique qual a sanção aplicada. Isto passou-se na China.

E nesta merda de país, que se chama Portugal, como seria?

Cá nunca ninguém sabe de nada, nunca ninguém é culpado, agem sempre de boa-fé e enfim, são todos uns santos.

O presidente da CML, por exemplo, faz negócios esquisitos com um construtor que depois vem a construir na Av. Infante Santo um mamarracho, sem que para isso tivesse pago à CML o que deveria, mas que afinal até pagou, através da troca feita com a CML de uns terrenos ou edíficios, mas que afinal ainda deveria ter que pagar qualquer coisa, e .............. uma grande embrulhada pela qual ninguém é culpado, como sempre.

Na Madeira temos um governo regional que desbarata os dinheiros publicos enviados pelos explorados do território continental e a quem ele achincalha constantemente. Como se isso não bastasse a Madeira é, tal como qualquer ilha tropical ou sub-tropical que se preze, uma espécie de empresa familiar, com os cargos políticos todos bem distribuídos por familiares, amigos e outros lambe-ânus que por lá deambulam. Mais uma vez ninguém é culpado de coisa nenhuma.

Tivemos um presidente de câmara em Lisboa e que mais tarde foi Primeiro-Ministro, que em ambos os cargos só fez merda, mas, como sempre, ninguém é culpado de nada.

Nas empresas públicas sempre tivemos administradeiros com camisas da côr da moda da altura que só fizeram merda e rebentaram com aquilo tudo. Ninguém é responsável por nada.

Um ex-ministro do CDS/PPopularucho andou metido nuns negócios estranhos relativos a um empreendimento turístico do BES (amén) que provocou o abate de não sei quantas centenas de sobreiros na zona de Salvaterra de Magos, mas, e apesar da lei dizer o contrário, parece que não houve delito.

E o rol segue interminavelmente.

E depois admiram-se que os chineses estejam a tomar conta disto tudo. É que este tipo de impunidade e desresponsabilização que por cá grassa espalha-se por todo o país e por todas as pessoas. Eu próprio também já entrei no jogo. Para quê preocupar-me em fazer bem ou pelas regras se ainda sou penalizado por isso. O que eu quero é viver a minha vidinha e o resto que se lixe.

Enquanto isso os chineses vão subindo.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Eles que paguem

A UNICEF pediu à comunidade internacional 24.000.000 de dólares, com urgência, para ajuda às vítimas da guerra “que não existe”, mas que acontece, no Líbano.

Considero os objectivos de tal pedido mais que meritórios, mas acho que estão é a pedir às pessoas erradas. Se há alguém que deva dar esse dinheiro, esse alguém será os broncos dos EUA, os judeus de Israel e os árabes da Petrolândia.

Eles que paguem, porque os outros não têm culpa.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

O sal é que faz mal

Na passada segunda-feira, dia 17, foi anunciado na comunicação social que a Autoridade da Concorrência (AdC) tinha descoberto um cartel na indústria do sal que teria lesado os interesses dos consumidores ao fixar os preços de venda do sal. À conta disso as empresas que participaram nesse cartel vão pagar, no total, perto de 1.000.000 de euros de coimas.

No dia seguinte surgiu outra notícia segundo a qual a União Europeia (UE) descobriu que a banca portuguesa era a segunda mais cara da UE, quer através das comissões que cobra, quer através dos spreads praticados nos empréstimos. Apenas somos ultrapassados pelos gregos.

Se juntarmos a esses custos os dos combustíveis, que cá pelo burgo são dos mais caros de toda a UE, teremos uma bela receita para o fracasso da economia.

As empresas para se modernizarem têm que investir, mas para isso têm que recorrer aos bancos, que, como se viu, são caros. Depois, para funcionar, têm que usar fontes de energia, as quais, por sua vez, dependem dos combustíveis, que, como se sabe, são caros.

Para se ter os preços tão altos é porque a lei concorrência não funciona bem nesses mercados e como nos negócios da banca e dos combustíveis só há meia dúzia de grupos económicos eu começo a pensar que esses preços são concertados. O que leva à ideia de haver um cartel em cada uma desses indústrias. E sendo essas indústrias basilares de tudo o resto, pode-se dizer que elas é que estão a matar a economia portuguesa (e não os ordenados vs a baixa produtividade, como se diz para aí).

Mas para a AdC o que nos faz mesmo mal é o sal. Esse é que dá cabo da gente.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Não percebo

Nesta anedota de país, que é o nosso, temos duas anedotas ainda maiores que se chamam Madeira e Alberto João Jardim.

O segundo manda despoticamente na primeira e, pelos vistos, também no resto do país. Ou mandava.

Mercê das cabalas e outras operações de gestão menos claras, a Madeira foi e é um sugadouro dos dinheiros públicos portugueses. São ajudas por serem uma ilha, são ajudas por serem pobres e são ajudas por mais algumas razões que eu nem sequer imagino.

Agora parece que já não são pobres, diz a União Europeia, e por isso vão deixar de receber as ajudas por serem isso mesmo. Como as finanças da ilha-estado não estão nas melhores condições, o despótico Jardim veio logo todo alvoraçado a dizer que o Continente, essa terra onde, segundo o despótico, só habitam seres execráveis, teria que dar mais ajudas para equilibrar a coisa. Os de cá fizeram-lhe um lindo sinal com o dedo médio esticado na vertical com a ponta virada para cima.

É caso para dizer: FINALMENTE!

Nunca consegui perceber o porquê de tanta ajuda para a Madeira. Nem sequer percebo o que ganha este país por manter a Madeira como parte integrante do território nacional. Mas finalmente gostei de ver um político continental a dizer NÃO ao despótico e ainda por cima a exigir-lhe contas e explicações para saber como chegou a Madeira onde chegou em termos de finanças.

E como dizia o Miguel Esteves Cardoso há uns anos, se colonialismo é um sistema onde um país vive à custa de outro, então tornemo-nos independentes da Madeira.

E bardamerda para o despótico que sempre viveu à nossa custa e ainda por cima sempre nos achincalhou. Como é que isto aconteceu? Não sei, nem percebo.

terça-feira, 11 de julho de 2006

Também quero

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF), com sede sita na Praça da Alegria, zona de Lisboa especializada na área da diversão masculina (tal como o nome indica), quer que o governo isente os jogadores da bola que foram à Alemanha do pagamento do IRS relativo aos prémios de jogo que receberam.

Para além de alegarem que essa isenção está consagrada no próprio código do IRS, através do nº 5 do artigo 13º, segundo o qual, o IRS “não incide sobre os prémios atribuídos aos praticantes de alta competição, bem como aos respectivos treinadores, por classificações relevantes obtidas em provas desportivas de elevado prestígio e nível competitivo”, a FPF afirma que a selecção contribuiu para a “divulgação e prestígio” do país!

Primeiro deixem-me expressar a minha revolta partindo alguma coisa

OK. Agora passemos a analisar toda esta história por partes.

Código do IRS: se existem estudos relativos à “simplificação do IRS” (coloco isto entre aspas porque foram essas as razões apresentadas para aquilo que a seguir vou dizer) que dizem que isso só se consegue acabando com vários benefícios fiscais, entre os quais as despesas com a educação, será que esses estudos abrangem também esta aberração? Se eu no meu emprego eu desempenhar as minhas funções tão bem que o empregador me resolve dar um bónus eu terei que pagar o IRS sobre esse prémio. Aqui é a mesma coisa

Para além do tal artigo do código do IRS, a FPF ainda alega que a selecção contribuiu para a “divulgação e prestígio” do país. É possível. Há quem só contribua para a divulgação e não para o prestígio (Durão Barroso, por exemplo), há quem contribua para o prestígio e não para a divulgação (muitos dos emigrantes que andam lá por fora). Mas, perguntou eu que nunca gostei de verdades absolutas, se o governo aceitar essa razão para isentar os jogadores da bola do pagamento de impostos, então não deveria fazer o mesmo, por exemplo, a mim? É que uma das quais que me compete fazer no meu emprego é garantir o funcionamento das bilheteiras de um sistema de venda de bilhetes para um serviço de transportes de longo curso (tanta merda só para manter o meu anonimato). Logo, ao mantê-las em funcionamento estou a dar uma boa imagem do país aos estrangeiros que nos visitam e usam esses transportes de longo curso. E com isso estou a aumentar o prestígio de Portugal. E também a divulgação do mesmo, embora indirectamente, pois os turistas que usam esses transportes de longo curso voltam para a casa a dizer: “os gajos têm umas bilheteiras que funcionam espectacularmente bem”.

Sendo assim, eu também quero.

PS (apesar de não ter assinado isto): depois de ter escrito esta resmunguice, soube que o ministério das finanças fez uma manguito a estas pretensões. É nestes raríssimos momentos em que penso que talvez ainda haja uma esperança extremamente ténue para esta anedota de país.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Finalmente

Acabou o Campeonato do Mundo! Até que enfim. Para os que gostam de futebol nem imaginam o tormento que são estas alturas para aqueles que não ligam nada ao futebol. Para onde quer que nos viremos só se ouve falar de bola. E se o campeonato durou 1 mês inteiro, a “preparação” levou ainda mais. Há alguns 3 ou 4 meses que andamos a levar com esta xaropada interminável. E ainda devemos ter mais uns quinze dias a um mês de análises das “consequências” dos resultados.

Telejornais houve em que na primeira meia hora só se falava disso. Já imaginaram o que seria durante 4 meses levarem com notícias e debates sobre, por exemplo, caminhos-de-ferro e ferromodelismo com a mesma intensidade com que eu levei com isso sobre futebol? Seria espectecular, pelo menos para mim. Mas os que pertencem à maioria iriam dizer que era chato, não era? E que não tinham nada a ver com aquilo, certo? Pois foi isso que eu e muitos outros sofremos com o campeonato da bola.

E quando queríamos saber de novas do país e do mundo lá levávamos com a tal meia hora de bola pelos queixos que até andávamos de lado. Em dois dos dias em que Portugal jogou os combustíveis aumentaram e ninguém reparou nisso. O governo anuncia a intenção de acabar com os benefícios fiscais decorrentes de despesas da educação e ninguém reparou nisso. E isto é cíclico. Há 2 anos, em pleno Orgasmo 2004, o governo também governou à vontade enquanto durou aquela importantíssima competição que por cá se realizou. Aproveito para homenagear publicamente um senhor que não sei o nome e que na altura do Orgasmo 2004 viajou num mesmo autocarro da Carris em que eu ia, acompanhado de umas 3 ou 4 dezenas de parolos prestes a virem-se com a conversa que estavam a ter sobre a bola. Esse senhor estava bêbado, mas não muito, e chamou a atenção para todos os orgasmáticos que iam no autocarro que “enquanto vocês [eles, os outros] estão com essas merdas, a água [canalizada] aumentou 4%”. E não é que os outros parolos, que aparentemente iam sóbrios, em vez de terem ficado a pensar nisso ou de se terem revoltado contra isso mandaram calar a única voz que naquele autocarro disse alguma coisa de jeito.

Afinal quem é que ganha com os Campeonatos?